quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Alguém me empresta um bote? Acho que naufragarei na minha própria ilha.

Faço graça... Brinco e jogo com o poder que as palavras têm. A interpretação fica à cargo do receptor, mas manipular a reação e o impacto que essas palavras terão, com certeza é arte cedida por quem transmite a informação.

Adoro esse mundo de imagens fantasiadas, de esperanças criadas no mundo paralelo da imaginação, de manusear cenas criadas na mente de outrem, enquanto se enxerta de palavras novas as cabeças de humanos simples, incapazes de pensar por si ou apresentar opiniões próprias.

À esses seres, sinto muito... São seriamente suscetíveis às influências externas. Muito provavelmente não construiram identidade e personalidade próprias... E se nutrirão das informações das bocas demagogas.

Flastrona? Demagoga? Em que classe de mentes pensantes cabe a minha inspiração, eu não sei. As construções de uma mente furtivamente fértil é terreno onde homem nenhum pisa, e a intelectualidade corrompe os inteligentes, tornando sutíl a linha que separa a humildade da soberba.

Mas ainda gosto, me vanglorio, e vulgarizo a inteligência que me cabe. Gosto de fazer graça, e por vezes, me fazer de idiota. Comprovo que é muito mais fácil invadir os pensamentos alheios e persuadi-los do que grande parte das pessoas acham. Pena que esse é um segredo que poucos conhecem, pois essa grande parte é o alvo a se corromper por mentes como a minha.

Por fim, chego a conclusão que ser sensata não me basta. Preciso viajar em minhas digitações noturnas para que me prove que sou capaz de não me fazer entendida por essa maioria. Preciso fazer com que aconteça, com que se torne real, para então ter a plena certeza de que sim, posso ser uma idiota, que não acredita nas minhas próprias verdades, mas que não se corrompe pelas informações que o mundo cria, e que o que me influencia é justamente a confusão mental causada pelas filosofias traçadas por mim mesma, enquanto me julgo melhor que os outros.

Triste fim daquele que se julga, enquanto envenenado pela soberba, e não consegue enxergar que muito mais grave do que a doença da cegueira humana, é morrer isolado, como o morador nômade e solitário de uma ilha.

Por isso, imploro! Invadam a minha ilha... loteiem, separem, entrem em guerra... Não quero mais ser simplesmente a menina prodígio que assusta os seres que me cercam, admirada e temida... Quero que me entendam, mas isso quase nem eu consigo.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Como chegar?

Estou em um momento complexo da minha vida, e claro, na maio parte das vezes, a complexidade feminina se resume em uma palavra: HOMEM!

Pensando no mundo lá fora, com o corpo preso dentro de casa. A mente viaja para lugares estranhamente desconhecidos à memória, apenas pelo prazer imaginativo de ver onde, quando e como. E como a mente trabalha.

Esta semana, imaginei imensos ou curtos diálogos, todos sempre ricos de esperança e favorecendo a minha estúpida vaidade. Querer é algo complicado, mas quando o objeto querido sabe do propósito e não se prontifica, nem vai à luta, as coisas ficam um pouco mais complicadas.

Vejamos, e serei bem direta: recaptulando alguns capítulos anteriores, e aí tudo fará sentido lógico, há alguns meses passei por uma situação complicada, com relação a uma pessoa especial, e uma amiga retardada mental... mas que eu amo desse jeito (não vou me expressar em nomes, ok?)

A criatura nefasta da minha amiga entregou pra essa pessoa que eu estava a fim de uma atenção mais... especial, digamos assim. Em contrapartida, essa pessoa apenas expressou a seguinte conclusão: "Poxa, eu ainda estou enrolado com a minha ex".

Ok... Agora vamos aos "poréns": O que a pessoa quis dizer com isso??? Dentre os comentários feitos sobre o assunto, algumas suposições foram feitas.

A primeira é a hipótese de que ele tenha usado a ex como um pretexto para dar um "toco" educadinho, não ferir ninguém, e ainda se sair bem na história.

A segunda, todavia, diz que ele poderia ter poupado a minha pessoa de uma ilusão maior, uma vez que ele realmente estivesse envolvido emocionalmente com a sua parceira não formalizada.

Há também questionamentos sobre ele estar interessado, mas ainda em um relacionamento com a ex, não querer machucar ambos os lados.

A verdade é que eu, graças ao meu bom Deus, nasci mulher, e mulher complica muito as coisas... Uma simples frase virou quase um enigma da esfinge. E eu não sei exatamente o que esse enigma quis dizer, mas estou tentando decifrar.

Ai é que vem o problema maior - desde que eu me encontrei como ré confessa, não tive muitas oportunidades de conversar sobre esse assunto, e confesso que nem muita coragem. Não sei como poderia abordar o assunto, sem parecer a desesperada, mas também mostrando que eu estou realmente interessada nessa pessoa. Como ser destemida e chegar sem parecer vulgar? O que eu deveria fazer realmente?

Já passou várias vezes na minha mente um milhão de atitudes prováveis, mas sem pensar nas consequências. Como eu mesma disse, as situações imaginárias sempre acabam por me favorecer, e isso não é legal. Sim, porque uma vez que eu tome um toco, agora de verdade, seria uma situação bem frustrante.

Mas tudo bem, enquanto isso, vou remoendo as minhas dúvidas durantes os dias que se passam, imaginando qual seria a melhor forma de tocá-lo.

Boa noite!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Direitos Humanos? Onde?

A criatividade do nosso povo me espanta e me encanta, ao mesmo tempo! Ainda que em estado caótico, os cariocas conseguem arrancar do fundo do âmago forças para sorrir e fazer piada da desgraça própria.

Enquanto navegava pela internet, em redes sociais, me deparei com frases bem humoradas, desprezando o caos e o medo que nos toma nesse momento deplorável. Comunidades dizendo "Rio de Janeiro, quando não alaga, pega fogo", ou "Vem pro Rio que tá bombando" tornaram o dia menos pesado, ainda que triste assumindo tal realidade.

Além disso, alguns comentários não podem passar em branco.

Por vezes, fui chamada de radical por ter certos tipos de pensamento de uma pessoa criada com alguns costumes militares, ou dentro de uma família de meios muito mais do que tradicionais e conservadores. Mas convenhamos, que ainda assim, não estarei errada em meus princípios extremistas!

Vejamos: Estamos vivendo em uma sociedade em que bandidos têm respaldo de Direitos Humanos, mas humano é uma terminologia errada pra aquele tipo de ser, que se esconde no meio do mato, que abandona os "seus" porque um foi atingido... Em contrapartida, atacam sem piedade os bens de outrem , ateiam fogo em veículos de transporte público, se equipam com ítens no armamento que nem a nossa polícia tem permissão para portar, e bem... Reagem à qualquer ação que as forças militares tome, com balas de ferro, agressividade e violência.

DIREITOS HUMANOS??? Isso é uma piada, né? Aliás, tudo na nossa sociedade virou uma piada! Um palhaço é eleito como o deputado mais votado do BRASIL, a polícia não pode revidar às agressões de bandidos porque os vagabundos são protegidos por uma ideologia que só favorece a eles. Os turistas visitam muito mais o nosso país por turismo sexual do que pelas formosuras das paisagens naturais, afinal, beleza natural existe em qualquer lugar, dependendo do ponto de vista de cada um.

E AÍ? Somos obrigados a viver e conviver com esses gentinhas que só pensam neles mesmos, que literalmente CAGAM E ANDAM para a sociedade em que vivem, porque são defendidos e protegidos por leis ditadas pelos homens de não tão boa vontade assim!

Porque quando o jogo muda de lado, aí sim, querem que a polícia faça justiça! Quando o filhinho paparicado do burguês ganha uma mesada de no mínimo quinhentos reais (que um trabalhador honesto luta e sua tanto para receber como salário mínimo) usa a grana pra subir o morro e comprar drogas, financiando assim o tráfico, garantindo o emprego da bandidagem... Ninguém imagina que o mesmo fornecedor atearia fogo no carro de um amigo de infância, ou que a bala perdida sobrecairia em um amigo ou parente.

Ai sim... Agora há motivos mais do que suficientes pra cair em cima da pele dos policiais, que não fizeram seu serviço quando deviam fazer. Esquecem-se que eles mesmos "ataram" as mãos de quem deveria fazer o serviço, e COMPRARAM as armas dos marginais. Indiretamente, mas compraram.

E agora, que o bicho tá pegando no Rio, que toda a população está morrendo de medo, se trancafiando em casa e deixando de viver nos mais diversos âmbitos sociais, prejudicando seus dias de trabalho... CADÊ OS DIREITOS HUMANOS do trabalhador, do morador da favela que não tem nada a ver com a história e não consegue entrar em casa? Cadê os Direitos humanos para os policiais que morrem em combate?

Direitos Humanos??? Uma ova! Sou a favor sim, da política do "larga o dedo", vagabundo tem mesmo que ter uma lição... E das bem dadas! E se não pode atirar pra matar, que atire para ferir. Direitos humanos deveriam servir para humanos de verdade, e não pra esse bando de bichos não evoluídos...

Onde já se viu? Desfilam com armamento pesado, se exibem... E fogem porque os "ASA" (helicópteros de reportagem e de segurança) não podem reagir.

Falando em ASAs... Ainda não entenderam que quanto mais a imprensa se mete, pior fica? Parabéns às teletransmissoras, que entregaram aos bandidos de mão beijada o planejamento tático das forças militares de como entrar na favela. Deu tempo de sobra de os "queridinhos dos direitos humanos" fugirem e aliarem forças com os comparsas da comunidade vizinha.

Liberdade de expressão sim, querer se meter no esquema da segurança, NÃO! e OS CHEFES DE SEGURANÇA poderiam muito bem deixar as informações em sigilo. Mas não, fala mais que a própria língua deixa! A vaidade ainda fala mais alto.

Isso muito me comove... Faz até com que eu pense que há muito mais coisas por detrás do que as emissoras transmitem. Não acham? Muito forjado, muito entregue, muito veiculado... e tudo o que é demais, o Santo desconfia. E eu também!

Então, queridos bloggeiros, leitores, viciados em internet. Reflitam, ponham a cabeça pra funcionar... E lutem pelos direitos humanos de verdade, porque esse sim, eu não sei onde foi parar.

Direitos Humanos? Onde?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O gradativo estranhamento da amizade gerada no ventre da vaidade humana

Coisas acontecem na nossa vida, e nós nem esperamos a maior parte delas. Alguns fatos, ainda que felizes, causam um gradativo estranhamento pelo fato de não entendermos... Claro, o desconhecido assusta! E daí surgem os mitos.

Mas não vou tratar de mitos, vou tratar da realidade, e relatar de forma simples como algumas coisas acontecem da forma que a gente menos espera, com as pessoas que menos pensamos, no momento em que a gente nem desconfia. E embora tudo isso soe como uma grande trapalhada do destino, creio que as coincidências não existem, e que tudo vem para quem merece, da forma como Ele lá em cima escreve.

Em um dia simples de domingo, daqueles que não damos nada, bem cara de "Domingão do Faustão", resolvemos encontrar os amigos... Um deles nos chama para presenciar a apresentação de uma banda nova, com um som alternativo. É para lá que eu vou. E fui!

Ter amigo músico é sempre uma grande oportunidade de conhecer pessoas novas... Dentre esse tempo de relacionamento com gente da música e dos ambientes noturnos, minha lista de conhecidos e amigos aumentou quase que drasticamente. Dentre essas pessoas da lista, vou comentar de uma, em especial.

"Mr. ?" me pareceu de primeira, um pouco metidinho, por falar de uma forma mais rebuscada. Achei que assim ele queria se mostrar um pouco mais inteligente que os demais, e chamar a atenção por isso. Eu, como professora, logo reparo nos contextos, e no destaque que uma pessoa tem, assim que pronuncia palavras de alto calão. Assim como reparo um cobrador de van falando que o transporte passa no "WERRRRRRRT SHOPIM". Desculpem-me... Vícios de alguém que estudou Português demais!

Esse ser me pareceu um misto de simpatia e arrogância, características muito comuns de quem tem "Síndrome de Estrelinha", no meio artístico. Por isso minha implicância reservada. Mas as conversas se cruzaram, e eu, no auge da minha "ladyce", respondi com a educação que me foi dada.

Mas somos pessoas pertencentes ao mesmo grupo amigos de night, e os destinos acabam por cruzarem em algum ponto do caminho paralelo. Uma ou outra vez, nos vimos, e trocamos um oi, até uma dança, e uma cantada. O mais engraçado é que bastou a cantada para a aproximação, enquanto, na maior parte das vezes, uma cantada não prevista no roteiro pode repelir... Ter o efeito contrário!

Muitas conversas surgiram desde então. Acredite, nunca pensei que eu pudesse ter tanto assunto com um desconhecido. Agora, não tão desconhecido e bem menos averso aos meus princípios. Coisas surgiram desde então e uma coisa foi fundamental para o crescimento de um sentimento que nenhum dos dois consegue explicar direito: admiração pela confiança inspirada na sinceridade. Acho que é isso...

Chegamos a um ponto inesperado: Em pouco tempo de amizade, bem menos de um ano, sabemos coisas de um e de outro, que muitos não sabem... Aconselhamos em coisas que talvez nem somos especialistas, mas sempre querendo o bem um do outro!

E nos tornamos amigos ao ponto de que muitos dos nossos amigos, que conhecemos há mais tempo, não chegaram. Mas que engraçado! E que estranho... Por que? Por que ele? Por que assim? Por que, porque e por ques de todas as formas?

Nossa última experiência foi a mais hilária... Num aniversário de uma amiga, uma banda de amigos em comum estava tocando, e ele, um dos músicos... E dos amigos em comum também! Haha... Pois enquanto ele estava trabalhando, eu estava na farra, mas lá... Dançando e cantando, dando apoio, mas curtindo a comemoração e a bebemoração...

Momentos de farra, de loucura, de night! Ah, como eu gosto... No fim do show, assim como antes de tocar, o grupo se reuniu novamente, e a conversa fluiu como sempre. Aquela conversa deu pano pra manga... De um bar, fomos para outro... Demos o nosso alô e... Fomos para casa dele (Apenas eu, ele e mais uma amiga, que estava louca e dormiu na rede).

Essa situação constrangeria qualquer um no seu estado normal, depois de ja ter rolado alguma investida, e algumas confissões! Mas não... Zoamos, conversamos mais e mais e assim chegamos ao ponto onde estamos hoje: amigos de infância conhecidos há pouco tempo.

Agora, hilariante e enlouquecedora é essa vida que nos toma, criando pegadinhas e situações que a gente fica filosofando horas para tentar entender. Mas se fosse para ser entendida, a resposta viria rápido, né?

Então, Viva às estranhezas geradas gradativamente no ventre da vaidade humana, que dá o fruto da amizade inesperada e sinceramente confiável.

sábado, 13 de novembro de 2010

Poder ver e não poder tocar...

Fico analisando cada atitude que tomo nos últimos tempos... Me controlo para não ser a precipitada, e me martirizo porque acho que não dei passos suficientes para alcançar o que eu quero pra mim...

Poder ver, mas não poder tocar, daquela maneira que eu idealizo! Mulher, sempre sonhadora, sempre imaginativa, sempre querendo o que não tem, estimulando esse lado fantasioso da coisa.

E sempre complicando. Seria muito mais fácil se a vergonha não existisse, se a timidez sumisse, se os pensamentos não transbordassem, se o mundo fosse melhor, se eu fosse de mais atitude... mais impulso, menos pensamento e racionalização.

E ele ainda não me dá bola... Se faz de amigo, me procura muito de vez em nunca, e me faz entender que sentiu a minha ausência, uma vez que percebe que estou sumida. Mas ainda não me dá nenhuma chance de aproximação, e torna tudo muito impessoal. E AI EU FAÇO O QUE???

Aceito sugestões de como, quando e onde!!!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cansadinha da Estrela!

Ah, muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo, e por mais que boa parte dessas coisas sejam boas, eu estou ficando um pouco cansada. Hoje, por exemplo, acordei cansada e dolorida, mesmo depois de um domingo nada produtivo. Além de net, mal comi! Apenas dormi e dormi.

Essa faxina da morada da alma que eu resolvi dar está me custando um pouco de energia, e acho que estou precisando renovar meu estoque de Redbull! Nem guaraná, nem coca-cola estão me mantendo ligada à essa altura.

E ainda tenho que ir à Realengo, dar aula, depois de acordar cedo e chegar duas horas antes para fazer a lotação da escola no Município.

Aaaaaah, tô cansada de novo, só de pensar...

domingo, 7 de novembro de 2010

Palavras...

Por um tempo fiquei afastada, resolvi dar um jeito na casa da minha alma, além de correr atrás de coisas que realmente importam! Fui correr atrás da minha satisfação pessoal e profissional também, por quê não?

Durante esse tempo, não tinha tempo nem de controlar a minha respiração, por vezes acelerada, por outras quase na preguiça de inserir ar nos pulmões. Passei por momentos de abstinência de palavras, de ausência de pessoas, de reclusão e afastamento, de conhecimentos de outros mundos e pessoas.

Pensei que tinha esquecido algumas lembranças que vieram como enxurrada nos últimos tempos, e me vi carente, dentre tantas outras pessoas que conseguem um relacionamento de três semanas e consideram isso como uma vitória nos dias de hoje... E eu me mantenho aqui, inerte na minha bolha de proteção, porque se for para sofrer com aviso prévio, eu prefiro continuar nas catacumbas da solteirice!

Também me vi extremamente preguiçosa para com as minhas obrigações... Por pequenos momentos achei que estava me abstendo da vida, e reconhecendo os desenhos das paredes no quarto da depressão, mas... Como a habilidade de reestruturação molecular que as largatixas têm com seus rabos (caudas) ou as planárias, me recuperei facilmente, mas nunca totalmente. A vida deixa marcas nos seus mais diversos aspestos. Enfim, vida que segue!

Mas resolvi dar uma sacodida na vida nos últimos dias, e tomara que seja uma decisão de longo prazo, que dure e que eu dê uma acordada! Que eu atinja muitos outros objetivos, porque os últimos dias foram sim, muito produtivos...

E que eu ainda ganhe um presente bem legal do Papai Noel! E vamos chegando a mais um fim de ano!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Apenas um agradecimento

Boa tarde, pessoal!!! Como vocês estão???

Bom, hoje eu vim aqui, além de deixar um texto, apenas para quebrar a impessoalidade dos textos; que ainda muito pessoais, que exteriorizem alguns sentimentos meus, mascarados ou não, fazem com que a escritora, no caso eu, continue sendo aquele ícone inalcançável e inatingível.

Bom, eu sou feita de carne e osso, assim como vocês, viu, gente???

E claro, muitos dos meus amigos vêm aqui de vez em quando, pra dar uma espiadinha! Esses pelo menos sabem que não sou nenhum cérebro artificial, dentre de um robô!!! Hahahaha

E espero que vocês estejam gostando das leituras... Às vezes, nem eu acredito que fui eu mesma quem escreveu essa pá de textos! rsrs

E sejam sempre bem vindos!!! A leitura e a opinião de vocês são necessárias para o meu crescimento e desenvolvimento literário.

Obrigada a todos vocês!
Ass: Eloá Alves

No futuro...

Abrindo os olhos furtivamente, pensei: preciso de papel e caneta... Mas antes, precisava me levantar, e isso o frio não permitia, na calada da noite.

Persista, Eloá... Se não, ela vai embora. E vagarosamente, com todo o meu pezar, fiz o edredon vazar o vento que me espreitava, do lado de fora. Mais um pouco, e eu estava levantando da cama.

Catei dentre as minhas bagunças de quarto dividido meu caderno antigo, com suas folhas amareladas. Revirei minha bolsa atrás do meu estojinho de curso de inglês, que sempre me acompanha onde quer que eu vá. Caneta e papel... Aqui vou eu.

Traço os primeiros rabiscos desconexos nas linhas iniciais, tentando lembrar do sonho que tivera há pouco. O exercício mental me trazia uma leve dor na cabeça, que atrapalhava o andamento da obra. Ainda assim, respirava vagarosamente com o intuito de buscar no fim de cada inalação a inspiração que se perdia na enxurrada de pensamentos que insistiam em não me deixar concluir a escrita.

Mas essa briga da mente foi recompensada, pois depois de alguns minutos perdidos madrugada afora, mais um texto se fazia completo, mais uma obra para a coleção dos meus poemas e histórias, que ficará guardado na minha pasta, para a leitura da posteridade.

E quando eu estiver mais idosa,estarei como a minha mãe faz hoje... Lendo as caligrafias tortas da juventude, os erros de português, e os sentimentos desperdiçados, rindo de todo um passado que fará parte do meu futuro, como o peso de um mundo nas costas da experiência.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Jogos

Uma night. Uma piada engraçada, e estão todos rindo em uma mesa, descontraídos, deixando fluir a liberdade que a sociedade tolhe enquando o sol ainda está brilhando. Luxúria, libertinagem, pecados que talvez não passassem daquela noite, o que pode ser muito bem aproveitado e depois... Tchau!

Um amigo do amigo aparece, conversa com a amiga do amigo, que tem uma amiga; e mostra o caminho a seguir no jogo. Até alí, não se percebe nada. Os peões ainda encobrem o cheque-mate!

O jogo começa, e os dados rolam...

Dados e Xadrez? Bom, o jogo não é pra ter nexo, é pra ser jogado simplesmente. Deixo então a roleta rodar... Apostem suas fichas!!

Uma brincadeira que não era inocente, mas que não tinha pretensões, leva à uma página de relacionamentos da Internet. Uma foto chamou a atenção e... Nossa! O flerte se estabelece e o impulso responde pelos atos. Agora faço parte da lista de amigos... ADORO!

Ouço o vento amigo suspirar em meus ouvidos, aconselhando seguir em frente e investir. Mas a timidez interpela o avanço. Melhor assim, penso... Um passo de cada vez. E ele pede o msn. "Yes!" Marchei com o cavalo!

Conversas evazivas, brincadeiras não tão privadas de hostilidade, mas recheadas de futilidade! Esquivei do óbvio e me fiz de boba. Aprendi que ser redundante não te leva a nada, e paciência tem limites... Esperei demais e perdi a minha vez... Papei mosca!

Mas a minha hora chegaria, eu tinha certeza! A roleta deu algumas voltas, até que o Rei ficasse só no tabuleiro. Mas ele não está sozinho; seus peões escudeiros estão ali, cercando, esperando tal qual a Rainha, a oportunidade certa de chegar.

Meu time está em número vantajoso, mas alguns peões são precipitados demais, ao meu ver... Põem os pés pelas mãos e avançam mais do que a própria perna poderia alcançar. E assim, sentenciam sua Rainha.

Sem perder a dignidade, a Rainha de Pedra confessa (em partes) seus pecados... Um alívio toma conta da mente da Gran Imperatriz Negra, por não carregar seus segredos sozinha, mas algo lhe aflinge: O Rei Branco nem condena, nem absolve! Outros problemas o tomam pelo coração.

Mas essa decisão não foi a mais prudente a ser tomada, pois causou dúvidas na mente feminina... Seria um simples adiamento, ou o caso seria indiferente ao Gran Imperator Branco para sempre? E a Rainha Negra sofre da Síndrome da Rainha de Copas, e condena a si própria que lhe arranquem a cabeça! Ela enlouqueceu... Condenou-se à morte!

Pelo menos foi por amor...

Divagações sobre as filosofias da madrugada - Alzheimer Cultural

Bem, e aqui estou eu, tentando filosofar com os meus botôes, em plena quinta-feira, às 01:46 da manhã!

Sim, tem dias em que eu sinto uma grande vontade de filosofar, de divagar por ai, soltando palavras ao vento... Nem sempre isto é possível, uma vez que a vontade não acompanha a inspiração; e assim como escritora, uma crítica voraz, não me satisfaria com pobres transcrições literárias.

Mas quando a inspiração vem... Me ponho a falar de quê? Percebi, lendo os meus próprios textos, que sou adepta às análises da profanação sentimental humana. Sou fã incondicional dos sentimentos e das reações químicas provocadas pelo simples fato de se tocar no assunto. Discuto o amor e o ódio, como irmãos siameses que possuem duas cabeças de personalidades completamente diferentes, mas que habitam a mesma morada.

Mas e eu? E o meu EU interior? O que eu poderia falar de mim? O que existe em mim, na verdade, se escondendo em formas de letras e palavras que compõem textos de leitura medíocre, que não alcançam a popularidade de Stephany Meyer, ou o clímax dramatúrgico de uma Clarice Lispector? Tampouco se compara a obras consagradas de escritores dos quais me inspiro... Seja ele Arnaldo Jabor ou Machado de Assis.

Minha mente é tão complexa, por vezes, que acredito que a chave do seu desvendar esteja nas coisas mais simples... E eu hoje procuro essa simplicidade, para abandonar os transtornos obsessivos compulsivos de camuflar em junções de palavras o que realmente sinto dentro de mim, e não consigo exteriorizar da forma mais comum, como a maior parte da população sabe fazer.

Sim, acho que sofro do mal do escritor...Que não sabe expor fisicamente o que pensa. Que serve apenas pra colocar a platonicidade nos papéis, e nesse caso, nas páginas de internet, que esperam por ser lidas e compreendidas um dia. Sofro do mal de Alzheimer cultural. Mas sofro muito mais do mal do sentimento. Esse me comove, me corrói, me mata... Me prende aqui às 2:00 am, e move meu mundo pelas mentes alheias.

Um dia espero ser lida... Um dia serei lembrada por qualquer um que bendiga meu nome... Um dia cairei no esquecimento de quem nunca teve oportunidade de ler a mim mesma. E assim acabará a saga de mais uma escritora de blogs e páginas de relacionamento de internet, que escreve para si mesma, na esperança de atingir o próximo.

sábado, 25 de setembro de 2010

Hora de votar

Meus queridos... ESTÁ CHEGANDO O MOMENTO! O momento de constatarmos a presente e insistente ignorância popular mais uma vez. Esta é a hora de votar, época das eleições.

Chega a ser triste, e não engraçado, saber que toda uma nação não dá a mínima para a política de seu país e trata o assunto como supérfluo, como se fosse algo fácil de consertar, e que caso não dê certo, é possível mudar dentro de quatro anos.

Grandes tolos da sociedade. Fáceis de se enganar, trocando votos po bolsas de auxílio econômico, que nem desse presidente é. Pouco se importam com os sistemas por trás de um governo de faixada, que tampouco competência para mascarar seus erros tem. Em OITO anos de governo "Petista", vimos um presidente bêbado, que mija em suas próprias calças em meio a uma entrevista, se vangloriar com heranças de uma administração anterior, rebatizando o que deu certo com nomem populistas para ser um Rei Pop dentre os miseráveis que aplaudem felizes as asneiras de um Deus caído por terra.

Atenção, meu povo... Sejam dignos pelo menos uma vez na vida de vocês! O fato do índice de analfabetismo ser grande não signifca que todos devam ser ignorantes. Melhor dizendo, BURROS! E coitado do animal que deve se sentir humilhado de dar tal qualificação ao bando de idiotas que preenchem a massa habitante da nossa Pátria Mãe Gentil... Tão gentil que não se encomoda de carregar em suas costas a fadada população e a corja comandante, que criaram uma aliança invisível que beneficia apenas um dos lados da moeda.

Então, façam o favor de pensar muito mais do que Dilma, Serra, Marina, Plínio... Pensem e Brasil e votem com consiência. Tenham a coragem de gerações anteriores de tentar modificar o futuro do País que abriga você e sua família, e as próximas gerações; da maneira que for.

Revolta pela manhã... Cyber denúncia

A vida segue independente de estarmos ou não vivendo um momento único, uma profusão de sentimentos, um pico de raiva. Infelizmente a regra é essa, enquanto não tomarmos a ideia para nós mesmos que o poder está em nossas mãos e temos sim o direito e o DEVER de nos mexer para mudar o que tanto nos perturba.

O que me preocupa é a impunidade... Hoje me deparei com uma situação bem desagradável: Um irresponsavelzinho que não tem mais o que fazer, que se denomina hacker (ou cracker, para os especialistas) porque ACHA que sabe mexer nas redes tecnológicas mais que a maior parte da população, Pobre Infeliz, criou um vírus no orkut.

Enquanto este triste ser que não deve ter um par de pés pra juntar aos seus nos momentos de ócio, que não tem um cobertor de orelha pra protegê-lo do frio, que deve passar horas mantendo relações com um mouse e os conectores do seu computador... Coitado! EU estou vivendo e aproveitando a minha vida da melhor maneira possível, conhecendo gente nova, dançando e bebendo, e cantando e aproveitando os meus amigos, beijando e me relacionando, promovendo vida, fazendo o sangue correr físicamente pelo meu corpo, sabendo que a vida é muito mais do que ser um cyber-otário-retardado que acha graça em promover viroses sem fundamento pela internet.

Meu povo, não tenho nada contra a internet, os conhecimentos tecnológicos, as novidades avançadas do mercado. Pelo contrário, acho que sendo usado de BOA FORMA, pode trazer benefícios que antes não seriam possíveis com cartas, código-Morse, pombos correio.

Por isso, meus queridos leitores, saibam dosar as suas atitudes... Se você se acha um hacker (cracker), use seu conhecimento para melhorar o seu ambiente de convívio, amplie seus conhecimentos e melhore a interface do orkut, do facebook, do msn... Crie novas oportunidades e sinta-se a vontade para fazer o que quiser, contanto que não envolva as outras pessoas!!!

E se você não gostou do que eu escrevi... Que pena! Enfia o dedo lá e rasga!! E seja feliz!!!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Enfim... Obra completa

Meus queridos leitores e amigos!!! Obrigada pela paciência até aqui. Finalmente acabei (ou acho que acabei) de escrever o meu pequeno conto de 20 partes chamado "Medo de Sonhar de Novo".

Nunca pensei que escrever um conto dessa proporção fosse tão demorado e difícil. Porque quando se tem a inspiração instantânea, mais genuína, é muito mais fácil, e assim ocorreu com grande parte dos meus textos. Mas algo que demanda tempo, que você decide, e depois desiste de que rumo das às personagens, tudo isso é muito cansativo, mas prazeroso. Me sinto leve de ter terminado, mesmo que esse tenha sido um texto muito tenso.

Por fim, desejo que vocês se deliciem com essa história sinistra, e postem suas opiniões sobre! Quaisquer que sejam as críticas, serão bem vindas.

Beijos a todos, e aguardem novos textos.

Medo de Sonhar de novo - 20ª parte

- O que você andou aprontando aqui, sua louca? Olha essa bagunça! Vai me dar trabalho pra arrumar isso tudo...

Ricardo olhava a sujeira no chão, os cacos de vidro, o sangue. E me culpava por aquilo? Como assim? O responsável por aquilo tudo era ele mesmo. Mas é claro que naquele estado eu não poderia nem argumentar de quem era ou não a culpa.

De repente me veio uma ideia: sabe quando aqueles animais que sempre são a presa se fingem de mortos para enganar o predador? Pois foi nisso que eu pensei, em me fazer de morta e forjar um outro desmaio. Talvez fechar os olhos me fizesse acordar do pesadelo que eu estava vivendo ali, naquela casa, com aquele homem. E cerrei meus olhos.

Ainda com os olhos fechados, não sabia se eu fazia força pra realmente desmaiar ou me esforçava pra dormir. Mas podia escutar todas as coisas que aconteciam ao meu redor... Ricardo levantou a cadeira em que eu estava sentada e amarrada, resmungando e xingando, dizendo ao vento o quanto eu era burra por ter caído, que só tinha feito cortar meu braço e fazer mais sujeira pra ele limpar. Logo depois, a vassoura e um balde, para lavar o chão... Eu ainda não me arriscava a abrir os olhos, mas a nova atividade de perceber o mundo ao meu redor prendia a minha atenção e se fazia a minha distração.

Comecei a perceber tudo em volta. Inclusive a vida fora da casa, os passos do cachorro, se estava passando algum carro. Isso prendia um pouco da minha atenção e me ajudava. O barulho da arrumação cessou e Ricardo sumiu para dentro da casa. Abri rapidamente meus olhos, para ver o que acontecia além do que meus ouvidos podiam captar. Realmente a sujeira havia sido limpa, e eu podia ouvir dentro do quarto de Ricardo era apenas alguns pequenos ruídos. Resolvi me examinar. O sangue havia parado de pingar, mas realmente tinha um vidro enorme no meu braço. É, eu não havia nem quebrado um osso, nem deslocado o ombro, a dor vinha do músculo sendo dilacerado pelo resquício de vidro. Me sacudi um pouco para avaliar as escoriações, e percebi algo que me animou, a cadeira estava frouxa, e provavelmente não resistiria a outro tombo. Mas ponderei que uma queda naquele momento poderia não causar a minha libertação, mas algo muito pior.

Ouvi novos movimentos do quarto, era Ricardo vindo. Retomei o meu estado de desmaio forjado.

Ele voltou e pegou o meu rosto, nada delicadamente. Tentou me acordar, me chamando pelo nome e eu apenas gemi. Ele desistiu e me aplicou uma injeção. Fiquei ligeiramente desesperada, por não saber o que ele estava fazendo comigo, e vi que levar adiante o plano de me fazer de morta poderia ser perigoso. Mas na mania de falar sozinho, ou comigo enquanto em dormia ou desmaiava, ele me "contou" o que estava fazendo... Melhor, ele narrava o que fazia, passo-a-passo.

Aquilo era um anti-inflamatório, para evitar qualquer complicação devido às últimas feridas. O caco de vidro no braço e sei lá o que ele tinha feito comigo nas regiões baixas poderia ser um problema, caso eu precisasse ser atendida por algum médico, ou mesmo numa emergência de hospital. Além disso, ele retirou o vidro do meu braço, e eu não pude resistir em minha encenação. Precisei abrir os olhos e dar razão ao sentido da dor. Recebi um "bom dia, bela adormecida" como resposta.

Revirei os olhos como gentileza ao seu comentário, e fui cuidar de perceber a minha dor, que era mais agradável do que a presença dele, ainda que a dor fosse enorme. Com o rosto virado, comecei a planejar o que eu poderia fazer para afrouxar ainda mais a cadeira em que eu estava. Precisaria dos intervalos em que Ricardo não estivesse presente, ou que ele estivesse dormindo, ou dopado com as suas drogas. Sabia que era um plano que não se resolveria em dois segundos, mas deveria me manter forte, e economizar as minhas últimas reservas de energia para conseguir realizá-lo. E foi isso o que me deu força até o final.

E assim o fiz... Todas as vezes que Ricardo se ausentava, eu me remexia na cadeira, tentando forçar ao máximo os pinos de encaixe, para os afrouxar um pouco mais, para que seu desmonte fosse certo na próxima queda. Muitas outras vezes Ricardo se drogou na minha frente, e até que pegasse no sono, ou eu fingia estar dormindo, ou permanecia muda no meu silencio induzido. Desde o começo, ele não me liberava nem para ir ao banheiro, então fazer o trabalho sem que ele percebesse, sem que ele averiguasse a cadeira era mais fácil.

Um dia inteiro se passou nessa novela de ausências e remelexos até que eu percebesse que a cadeira estivesse pronta para o fatídico próximo tombo. O rompimento das vigas seria inevitável, e eu poderia finalmente me ver livre daquele pesadelo.

Antes mesmo que eu pusesse minhas atividades em prática, fiz uma varredura local de todas as coisas que estavam naquela sala... Não poderia sair nua pela rua, da forma que eu estava, com vestígios de sangue, sem causar nenhum alarde. E isso poderia prejudicar qualquer tentativa de escape, caso Ricardo acordasse. Então vi onde estavam as minhas roupas, seria meu primeiro paradeiro. Tentei me lembrar também onde o monstro havia escondido as chaves de casa, pois com certeza ele teria trancado a porta. A janela poderia ser uma segunda alternativa.

Eu tinha que ter tudo exatamente planejado na minha cabeça, com planos "bes" e "ces" para que nada pudesse falhar e me fazer ficar por mais tempo. E apenas quando tudo já estava na minha mente eu consegui dar cabo do plano. Era hora de por tudo em prática.

Me certifiquei de que Ricardo realmente não escutava nada do que eu fizesse, com os ruídos e gemidos da primeira vez. Nada acontecia, e então o balançar quase desastroso da cadeira, até que ela tombasse e fosse ao chão.

Bingo! Ela espatifou e quebrou algumas partes, a principal era a parte das minhas mãos, mesmo que elas estivessem amarradas entre si. Mas já era o suficiente para eu dar a volta por mim e alcançar as cordas dos pés. Com algum esforço eu consegui desatar os nós da corda nos pés, mas e as mãos? Me levantei e fui até a cozinha. Levantar foi a parte mais difícil depois de dias sentada, sem comer, e com todo aquele sangramento. Eu estava muito fraca, e forçava a respiração, como que controlando a vontade de desmaiar. Respirei fundo várias vezes até chegar a gaveta de talheres, procurando por uma faca. Consegui me soltar completamente, e o desespero de querer sair dali ficava cada vez maior. Mas aquela faca em minhas mãos fez com que surgisse o desejo de vingança, de descontar tudo aquilo que eu sofri na mão dele. Tudo o que ele me fez passar naqueles dias agoniantes. Eu precisava agir rápido, e me decidir mais rápido ainda.

Fui até a sala e coloquei a minha roupa. Chequei a porta, e como eu havia dito, trancada. Onde estariam as chaves?? Só me restava a janela. E a faca que ainda estava em minhas mãos. O desejo de me livrar de Ricardo era grande demais, muito maior do que o amor que eu devotei um dia. E então, fui em direção ao sofá. Sem muito pestanejar, empunhei a faca em minhas mãos, e a cravei no peito de Ricardo, que não teve tempo de esboçar nenhuma reação, a não ser a de aceitar aquela lâmina que penetrava sua carne. As lágrimas reapareceram no meu rosto, e eu não conseguia definir o que eram: alívio ou dor, sofrimento ou esperança.

Não quis ficar ali por mais nenhum minuto e recorri à janela. Completamente perdida no meio da rua, eu não sabia o que fazer primeiro. Ia pra casa, à delegacia, ao hospital? O que seria mais prudente? Fui então pra casa, depois de ir até a esquina e pegar um taxi.

...

De repente, acordei com o meu próprio grito aterrorizante. No susto, abri meus olhos, sufocando... Um pesadelo tremendo havia tomado conta das minhas noites. Olhei para um lado e para o outro, não entendendo o que havia acontecido. A febre ainda não tinha abaixado, mas nem o psiquiatra, nem minha mãe estavam no quarto. E eu estava exatamente como sempre estive, na minha plena saúde. Eu estava em casa, e na minha mão, o celular. Completamente confusa tentei tomar conta dos meus ímpetos, respirar fundo e tentar ser um pouco mais racional. E então, a minha surpresa maior, Ricardo acendeu a luz do abajour de sua cabeceira, se levantou e me disse carinhosamente: Meu amor, não tenha medo... Foi só um pesadelo. Agora vamos dormir, porque amanhã nós dois acordamos cedo, para trabalhar.

Deitei novamente, mas ainda muito perturbada com tudo o que eu tinha sonhado naquela noite. Será que eu estava ficando louca? Achei melhor no dia seguinte procurar algum médico especialista, um psicólogo ou psiquiatra, pois tinha a certeza de que depois daquela noite longa de pesadelo e insônia, eu com certeza teria medo de sonhar de novo.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Medo de sonhar de novo - 19ª parte

"Bem vinda ao inferno", rosnou Ricardo ao meu ouvido. "Sinta-se hornada por conhecer pessoalmente o criador dos seus pesadelos e pecados... Tenha o prazer ou desprazer, como queira... De conhecer a mim". Eu realmente acreditei de estar conhecendo Lúcifer.

Cada palavra pronunciada causava tormentas de arrepios na minha espinha, que se espalhava rapidamente pelo resto do meu corpo. O que ele iria fazer, o que eu tinha feito para que ele fizesse isso comigo? Nenhuma das minhas perguntas poderia ser respondida, até porque, eu não tinha condições de pronunciá-las, devido ao medo, e aos sentidos entorpecidos que eu consegui com toda aquela mistura de sentimentos. Parecia que eu tinha sido drogada. E não duvido muito que realmente tenha sido, num dos momentos de descuido ou que a minha memória ainda não tivesse capturado.

-Ricardo (balbuciei como uma criança aprendendo a falar), Por quê? O que eu te fiz?
-Nada meu bem, absolutamente nada! Quem está fazendo alguma coisa aqui sou eu...

Enquanto falava, Ricardo não expressava nenhum sentimento, nada! Acariciava meu rosto sorrindo, mas os olhos estavam opacos, sem nenhuma vida. E logo depois da carícia, um tapa ardeu como fogo nas minhas bochechas. E em seguida o trovão:

-Mas se você quiser continuar falando, eu posso ficar um pouco irritado... É isso o que você quer?
-Não - murmurei.
-Então, minha linda, cale a merda da sua boca!

E eu me calei, enquanto sentia o ardor do tapa que recebera, gritando por dentro com a dor, mas meu corpo apenas respondia com mais algumas lágrimas, que ainda brotavam, quando eu achava que não era mais capaz de produzir uma.

Acho que fiquei umas cinco horas em silêncio quase que absoluto, a não ser pelos meus soluços, enquanto Ricardo via tv, ou comia, ou ia ao banheiro, ou fazia qualquer outra atividade. Até que eu tentei de novo:

-Ricardo?
-Eu acho que mandei você ficar quieta, não mandei??
-E quando derem por minha falta?
-Você acha sinceramente que alguém vai dar por sua falta, meu bem? Não seja tão prepotente assim...
-Mas e minha mãe?
-Você quer realmente sustentar essa conversa, sua vagabundinha? Ok, a sua mãe não vai dar por sua falta por um simples motivo: eu disse que você ia passar alguns dias comigo, para aproveitar a... reconciliação - e um risinho sarcástico saiu do canto da sua boca.
-E a faculdade? Você acha que as meninas não vão dar por mim?
-Jessi, meu amor... Vamos relembrar os fatos: um de nós dois é considerado não tão normal, depois de certas atitudes suspeitas nos últimos meses. E adivinha? Essa pessoa não sou eu. Então, o que te faz pensar que elas não achem que você teve outro surto ou coisa do tipo? Não se esqueça nunca, meu bem, que a tarja preta é sua!
-Você me dá nojo!
-Ha-ha-ha... Engraçado, não era isso que você gritava, quando agia como uma putinha, gritando na cama, enquanto eu fazia o favor em te comer. Aliás, acho que você anda dormindo de calças ultimamente... Está precisando de um homem, está? Anda, fala, sua cachorra!
-Não, Ricardo, não!!!
-Eu acho que está, vem cá, sua vadia!
-Para, para...

Os gritos cessaram quando fui amordaçada. ainda amarrada, Ricardo tirou a minha roupa e me estuprou várias vezes, até que a sua ira tivesse passado. Eu me recordo até a terceira vez, quando desmaiei, fraca, sem comida, cansada e sem dormir. Achei que ali eu teria o sono dos justos, e que nunca mais fosse acordar... Mas acordei.

Sentia uma ardência insana por entre as minhas pernas. Olhei para o meu corpo e vi as marcas das agressões, além de sangue. Procurei ver de onde vinha, mas não conseguia encontrar com exatidão, só pude concluir que saia da minha parte genital. A visão ainda era meio turva, mas também consegui distinguir alguns pedaços de vidro em volta. Duvidei por um instante se era realmente meu sangue, mas não tinha como não ser... Ele ainda pingava pelo chão, e partia de mim.

...

Enquanto dormia, via claramente as imagens desse passado traumatizante em meus sonhos. No plano real, o psiquiatra e minha mãe tentavam controlar um ataque epilético que eu tinha, enquanto a febre não baixava. compressas de água fria estavam ao lado da minha cama, e meus movimentos bruscos derrubaram a bacia com água e gelo no chão.

---

Tentei recuperar as minhas forças, lembrei como odiava ver sangue, e quase desmaiei novamente. Foquei meus pensamentos em coisas racionais, e algumas fantasiosas, para refugiar a minha mente, quando dava conta das coisas que estavam acontecendo ao meu redor. Ricardo estava dormindo no sofá, mas eu sabia que qualquer movimento que eu tivesse o acordaria.

Pensei então se seria possível eu ter acesso a algum daqueles cacos. Talvez eu pudesse realizar uma daquelas façanhas de filme, e cortar a corda que amarrava os meus pulsos. Mas como eu faria isso sem despertar a besta adormecida no sofá?

Olhei tentando fixar a vista na direção de Ricardo e vi algo que já era de se esperar. Havia uma seringa em cima da mesa de centro, e algumas ampolas, que com certeza eram drogas injetáveis... Qual eu não sei, mas... Se ele está drogado, pensei comigo mesma, ele não vai acordar se eu fizer um pouco de barulho. Resolvi testar, gemi um pouco e o corpo dele estava inerte. Um pouco mais alto e nada. Então movimentei a cadeira, para que eu caísse com a cadeira de lado. Um, dois, três... E o susto.

Quase não aguentei suportar o grito na garganta. O som saiu como um urro abafado, como se tivesse entrado, ao invés de sair. Não sabia ao certo se eu tinha quebrado o braço ou deslocado o ombro, mas sabia que a dor era enorme. Respirei fundo e chorei, como um bebê... Por um momento esqueci que o monstro repousava sua "onda" a alguns metros de mim. Recuperei as minhas forças e tentei mexer o braço. Outra onda de dor, e agora o grito foi quase gutural. Eu suava frio, o meu corpo tremia, e eu sentia que perderia a consciência de novo...

Acordei com o rosto do monstro encarando o meu, esperando que eu despertasse para tentar entender o que eu tentara fazer enquanto a aberração dormia. Por um momento, tive um flash de como era engraçado ver que do príncipe encantado eu vi nascer o bicho-papão. E ainda não tendo certeza da dor que eu sentia, eu ri para aquele rosto que por momentos foi encantador para mim. Meu sorriso sumiu quando vi reluzir o meu sorriso nos olhos daquela criatura, e dei por mim do que estava acontecendo.

Ninguém é perfeito... Eu não sou, você também não!

Nem sempre depois de toda tempestade, vem a calmaria, a bonança. Ou você acha muito calmo retirar escombros de cima de seus entes queridos, como aconteceu no Haiti? Você acha ser bonança esperar pelas doações de desconhecidos, depois da enchente que tivemos no Rio de Janeiro, no início do ano de 2010?

Nem sempre, depois daqueles momentos em que a raiva predomina, teremos amor pra dar. Fato, ciência e verdade.

Acho todos esses ditados populares muito bonitos, mas sempre hipócritas. Olha bem... Muitas pessoas pregam o auto-controle, a benevolência, a paz de espírito, a tolerância. Você os pratica? Você se considera forte o suficiente para não corresponder a uma pedrada, todas as vezes que lhe dão uma?

Atirem a primeira pedra quem é santo... Opa, desculpem-me! Se você é santo, não atirará pedras mesmo ao pittbull que lhe dilacera a perna. Você terá de ser o mais calmo do mundo para reverter a situação... Claro, QUANDO A SUA PERNA JÁ ESTIVER FORA DO CORPO!!!

Percebeu? Nem sempre as coisas funcionam como esperado. Concordou? Gente, eu que sou uma calma criatura estou sucetível a erros, a desesperos, a estar fora de controle... E sabe por quê??? Porque eu sou humana, e como tal, sofro de todos os males terrenos. E acredite, você não veio de Atlanta, de Vênus, Plutão... Orion. Não, você está tão perdoado quanto eu de não ser Buda ou Ghandi. Prestou atenção? Você não é JESUS CRISTO! E nem eu...

E para chegarem a ser tais celebridades da existência humana, eles com certeza erraram, e buscaram corrigir seus erros. Isso sim, é ser benevolente, é ser correto.

Vamos lá, não estou dizendo que não é para buscarmos a melhoria existencial e espiritual. O certo é evoluirmos enquanto seres humanos. É buscarmos corrigir nossos erros, é tentar ser melhor do que já fomos há dois segundos. Mas também não estaremos subjulgados e condenados ao inferno se por algum acaso vivenciarmos o pecado da ira.

A intenção aqui é dizer: sinta raiva, porque assim como sentir o amor, é a prova do "estar vivo". Agredir? Você um dia vai ferir alguém, é inevitável! Se já não feriu, mesmo sem querer. Fique triste! A tristeza faz com que a gente valorize os menores momentos de alegria. Erre, porque quem não erra, não tem a capacidade de distinguir o que é certo e o que é errado (e não é humano também). E corrija-os sempre que possível.

A questão é: viva, seja esse ser humano que você é! Aprenda tudo o que puder com a vida que lhe toma. Perca as rédeas de vez em quando, mas saiba retomá-las mais tarde. E não leve todos os conselhos dos arquivos pps. que você recebe por e-mail tão a sério. Seus bisavós e tartaravós não tiveram essas advertências e viveram tão bem ou melhores que nós. E o seu destino vai ser o mesmo do deles - você não vai sair vivo daqui mesmo...

E para fechar com chave de ouro, vou tratar de um arquivo de pps. que me comoveu de verdade. O título é "Te desejo o suficiente". Procure-o na net, e você vai entender!

domingo, 15 de agosto de 2010

Medo de sonhar de novo - 18ª parte

Não conseguia entender ou acreditar no que estava acontecendo ali. Aquela cena era completamente bizarra! Como uma coisa que aconteceu em pouco tempo poderia apagar da memória de alguém, daquela forma? Não sabia até onde as palavras de Ricardo me soavam como verdade ou mentira. E analisava minuciosamente cada sinal de expressão que pudesse responder a minha dúvida. Porém, nada.

Tudo era muito vazio. Tudo era nada. A minha angústia aumentava cada vez mais. Sabia que eu não estava em meu estado natural, e tinha medo de como a panela iria transbordar. Ponderava cada reação que eu pudesse ter. Toda a minha confusão estava mesclada ao medo, e qualquer coisa que eu pudesse fazer me remetia às cenas de agressão do dia anterior... E se ele pirasse de novo? E se fosse pior. Mas eu não poderia me omitir, eu não poderia me deixar levar por toda aquela coação, indução, ou sei lá o que era aquilo.

Meus pensamentos foram interrompidos por um rompante de choro. O que estava acontecendo? Será que não era eu a louca da relação, mas sim ele? Não havia ponderado essa opção antes.

Ricardo chorava compulsivamente. Me lembrava um bebê chorando de fome. Soluçava, desesperava, tentava se esconder, para não passar pela situação constrangedora de admitir uma possível fraqueza, que homem também chora. Ele me pedia desculpas, me tocava, me abraçava tentando esconder o rosto por detrás dos meus ombros. Eu perguntei o que estava acontecendo, se ele estava com problemas externos, se estava acontecendo alguma coisa que eu não soubesse, e ele não respondia. Apenas chorava e chorava, e pedia desculpas.

Atinei para a hipótese de realmente estar acontecendo alguma coisa. Uma coisa que eu havia aprendido era que homem, quando está se desculpando muito, quando mudava seu comportamento, era porque realmente estava acontecendo alguma coisa. Atentei para a possibilidade de traição. Mas fiquei na minha. Continuei perguntando o que estava acontecendo, e fui surpreendida mais uma vez.

Ricardo começou a gritar, desesperadamente, praguejando o vento, perguntando para mim o que eu queria dele, se eu não conseguia enxergar. Enxergar o que? A loucura dele? É, eu estava percebendo... Mas a minha expressão causou uma crise de fúria nele, e de repente um tapa ardeu na minha face, e o gosto de sangue repercurtiu em minha boca.

...

Cerrei meus olhos e me juntei ao sofá. "Hein, tá me olhando assim por quê?" Era o que eu conseguia distinguir dentro da dor. Ricardo me pegou e me chacoalhou como se eu fosse um boneco de pano. Me chamava de louca, de puta, retardada. Brilhava em seus olhos algo que eu não sabia explicar. Eu tentava me debater, mas não sabia de onde saia aquela força dele, que me apertava tão fortemente, e não me dava espaço para me desvencilhar. Eu pedia para ele parar, mas ali, com aquele olhar, eu sabia que não era ele no seu estado normal.

"O que é? Fica me olhando assim com essa cara... Tá imaginando que eu ou louco né? Mal sabe que a louca aqui é você... Vamos relembrar os fatos: Quem ficou sem vida social? Onde você estava nos últimos mêses? Quem é você sem mim?"

As minhas forças tinham acabado, e eu não esboçava mais reação corporal. A única válvula de escape eram as lágrimas. Então, facilmente Ricardo me colocou numa das cadeiras do conjunto da mesa de jantar e me mandou ficar. Me ameaçou de morte se eu me movesse mais do que a respiração me permitia. E com o medo tomando conta de mim, além das forças perdidas, eu não tinha outras opção além de obedecer.

Ricardo sumiu em um dos cômodos da casa rapidamente e retornou mais rápido ainda, com uma corda. Me amarrou naquela cadeira e eu já não me importava com as coisas que estavam acontecendo, só queria sumir dali, desejava nunca ter pensado em aparecer na casa dele, naquele dia.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Medo de sonhar de novo - 17ª parte

- Aonde você vai?
- O que?
- Aonde é que você tá indo (Ricado segurou meu braço com uma força desnecessária
- Ricardo, solta o meu braço agora!
- Não... Eu quero saber primeiro!
- Para com isso, seu louco! Ta me machucando... - Fiz força para tentar me desvencilhar das mãos que me apertavam em um quase estrangulamento. – O que deu em você? Bebeu?
- Não, eu não bebi... Pelo contrário, estou suficientemente sóbrio pra querer satisfação de onde a minha mulher está indo a essa hora...
- Hahahaha (dei uma risada irônica muito pouco convincente... Na verdade, estava com medo daquela situação), e você por acaso tem o documento, a minha escritura, declaração de posse? Até onde eu sei, nem aliança no dedo eu tenho!
- E desde quando isso significa alguma coisa pra você? O que me interessa é o que eu sei, e não o que eu tenho que provar para os outros, fora da relação. Mas se é isso que você acha... tudo bem, vai.

Ricardo, nesse momento, estava aos berros comigo. Aquela fúria repentina pelo simples fato de me ver um pouco mais arrumada fez com que se mostrasse uma personalidade que até então eu não conhecia. Onde tinha ficado aquela criatura pacata que esteve comigo durante todo aquele tempo? Uma pessoa normal não conseguiria fingir ou esconder esse lado por tanto tempo. E é aqui que eu me atentei pela primeira vez sobre as estranhezas de comportamento dele.

Além de todas as coisas que ele fazia e eu não percebia, como me controlar, de uma forma tão doce que eu não sentia o que estava acontecendo, ou quando fazia charme para conseguir o que queria. As coisas eram milimetricamente desenhadas por ele, enquanto eu era dopada mentalmente, com doces gestos de carinho. E então, um estalo: justamente quando me neguei a fazer as coisas que ele queria, enquanto ele pedia de forma doce, fiz aparecer um mostro que se escondia sob a pele de cordeiro.

No dia seguinte, podia ver as marcas da discussão do dia anterior. Os hematomas variavam dos tons vinho ao roxo-esverdeado, acompanhados de uma dor incômoda. Retomei todos os passos dados no dia anterior, e cada vez mais ficava mais assustada com o que havia acontecido. Peguei meu celular e nada mais, nada menos do que vinte e cinco mensagens dele ocupavam a minha caixa de entrada, com pedidos de desculpas, juras de amor e “te amo” proclamados em cada uma delas, como se aquelas palavras quisessem gritar. Como se fossem uma tentativa de lavagem cerebral, com repetições... Assim como acontece nos comerciais.

Na paranóia de não saber o que fazer, no conflito que se passava pela minha mente, eu me olhava e sentia uma grande aversão, que contrastava com o sentimento que nutri até ali. Aquele sentimento que demorou tanto tempo para ser recontruídos. Meu olhar procurava algum ponto de foco, mas era evasivo e vazio. Ainda assim, eu topei conversar com ele, depois de tudo o que havia acontecido.

Não contei para ninguém o que houve no dia anterior e bem, as marcas eram fáceis de serem escondidas, com roupas mais compridas e maquiagem. Assim o fiz e fui em frente, sem que ninguém pudesse desconfiar de qualquer mal agouro. E fui para a casa de Ricardo. E me encaminhei ao que deveria ser um pesadelo.


Toquei a campainha duas ou três vezes, ansiosa pela recepção. Não sabia se aquilo seria bom ou ruim, e essa expectativa me torturava internamente. Achei que Ricardo deveria estar dormindo, ou muito ocupado com alguma coisa que não o deixava me atender. Pensei em abrir a porta, pois presumia ter intimidade suficiente para fazê-lo, mas... Ponderei os últimos fatos e percebi que na verdade eu não era íntima de ninguém, que pouco conhecia aquela pessoa com quem passei um bom tempo.

Mais alguns instantes, e ele surgiu na minha frente, com um aspecto sujo e cansado, mas tentando se recompor, tentando se limpar ao máximo, para poder ter contato. Mas pensou melhor e apenas me pediu para entrar e ficar à vontade. Me adiantou que iria tomar banho, para ficar um pouco mais apresentável. Ligou a televisão, e sumiu pelo corredor da casa, até o banheiro de seu quarto.

Meus olhos procuravam por evidências que me mostrassem alguma intenção, alguma coisa que me esclarecesse o que estava por vir, o que estava acontecendo... A falha que insistia em se preservar na minha mente, o que eu poderia lembrar e esquecer da noite anterior. É, seria imprudência minha não contar a ninguém. Mais ainda retornar ao ponto de onde aquele pesadelo começara.

...

Hoje eu fui visitar o Dr. Maurício. Ele foi o meu psiquiatra há algum tempo, não sei bem ao certo quanto. Ele foi o responsável pela minha volta à normalidade, depois de tantas coisas terem acontecido. Depois do tratamento terminado, Dr. Maurício me disse que qualquer sintoma de desequilíbrio, ou qualquer lembrança que perturbasse a minha suposta cura deveriam ser relatados.

Assim o fiz. Liguei para ele, dizendo que eu precisava conversar com ele, pois não estava em meu estado normal. Antecipei alguns dos mais recentes acontecimentos, e então, ele marcou uma consulta de urgência. Dr. Maurício sabia que qualquer leve recaída me traria traumas muito difíceis de reverter.

...

Ricardo saiu do banho, se arrumou e veio de encontro a mim, na sala. Perguntou se eu queria alguma coisa, e me acarinhava como normalmente. Até que ele passou a mão pelo meu braço, na parte em que as escoliações ainda doíam. Fiz uma contração involuntária, e ele estranhou. Perguntou se tinha acontecido alguma coisa, e eu fiz que não era nada demais. Então ele passou a mão novamente, e mais uma vez, uma recusa de toque. Ricardo não se conteve e pediu para ver o que tinha em meu braço. Eu fiz que não, mas ele insistiu.

Ricardo olhava, pasmado com as manchas roxas, o meu braço. Parecia um tanto confuso e me perguntou o que havia acontecido comigo. Eu o olhava, incrédula. Perguntei se ele não tinha ideia, e ele disse que não. Fitei o rosto de Ricardo e ele não esboçava nenhuma reação, nenhum semblante de culpa, de dor, de arrependimento, nem nada. Então o questionei sobre as mensagens, e ele nem soube me responder. Disse que estava embriagado, e que me mandou mensagens porque não queria me fazer sofrer novamente, como há alguns meses. Agora, quem estava embasbacada era eu.

...

sábado, 7 de agosto de 2010

Última ferida

Estou sentindo
"O pulso ainda pulsa"
Ainda sinto correr o sangue dentro de mim...


Tum tum...
Tum tum...
Tum tum...

É, ele ainda está batendo!
Está inteiro? Sim, está! Mas não intacto...
Avalio as últimas escoliações e... Nossa!
O trauma foi grande dessa vez! Dilacerado? Não, mas consigo ver o outro lado.

Ele vai sobreviver... Achei que não, mas vai!
A recuperação é lenta, e veja! A ferida o atravessou!
Atingiu um órgão vital... O coração. Mas ele ainda bate.

Estou me recuperando... Quanto tempo passou? Uns três meses?
- "Não, oito!"
Nossa! Uma vida inteira se passou, e eu não vi, não vivi...
- "Foi por escolha sua..."

Acordei do coma... Olhei em volta, e a claridade me cegava. E aí?
O céu era azul... Havia um mundo lá fora... Agora o sangue corre muito mais.
É, ele ainda está batendo!
E eu? Me descobri viva!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

E.L.A.

Ela
Contrariedade bela
Nunca vi mais linda flor
Cheia de espinhos

Ela
Metamorfose nua e crua
É a junção do Sol e da Lua
Desfaz meus caminhos

Tão sem jeito e chega de graça
Me abraça e faz pirraça
Brinca com minha imaginação
Me destrói suavemente
Inteligente, quebra a minha mente
Faz que não sente, me diz não

Mas é no calor da confusão que eu me encontro nela...
ELA... ELA... ELA...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Medo de sonhar de novo - 16ª parte

As palavras de Ricardo chocavam contra as paredes do meu cérebro como um mar de ressaca bate nas pedras. Fiquei com a mente no modo “off” por alguns instantes, completamente perdida em minha confusão mental. Eu não fazia a menor idéia do que responder ali, e inevitavelmente, a única resposta que saia era um vago balançar de cabeça, afirmativo, ainda olhando para baixo.

Ao me voltar para ele, via que seu semblante mostrava uma satisfação que se tornava até um pouco sombria. Aquilo só fez aumentar o meu desespero, quando dei por mim, o que eu estava fazendo, e como tinha sido a reação dele. Será que eu estava fazendo o certo? Nossa, me surpreendi em ver que eu ainda conseguia raciocinar por mim mesma, enquanto o meu corpo não correspondia aos impulsos racionais da minha consciência.

Ricardo se aproximou e me abraçou, e aquilo era estranhamente reconfortante para mim, ao mesmo tempo em que repulsivo. Não estava entendendo absolutamente nada, estava muito confusa, e precisava ir embora, sair dali. Comentei com Ricardo que eu não estava bem, e ele propôs me levar pra casa.

No caminho, um milhão de juras de amor, que soavam como um filme repetido, um deja-vu. Meu rosto mostrava um contentamento que contrastava com o pouco da sanidade presente. Eu era triste e feliz, feliz e triste, ao mesmo tempo. Mas o que estava feito não tinha mais volta. Todo mundo diz que perdoar é humano, e eu estava apenas atingindo esses parâmetros. Pensar dessa forma me fazia sentir menos culpada.

Ao chegar em casa, minha mãe se surpreendeu e me ver ao lado de Ricardo, novamente tão íntima, e isso causou um calafrio sinistro nela. Presumo que ela estivesse pensando o mesmo que eu. As lembranças dos últimos tempos, e toda a fase ruim que se devam em relação ao término e a ele ainda queimavam na memória, como brasa de carvão de fim de fogueira. Mas como sempre, ela me deixou por minhas próprias decisões, e não interferiu em nada.

...

As semanas foram se passando, e aminha vida parecia estabilizada novamente. Tenho que admitir que passar essas semanas ao lado de Ricardo me fizeram muito bem. Em questão de tempo, as brasas que ardiam na mente foram se extinguindo, e a confiança foi restabelecida.


Tudo caminhava perfeitamente bem, e isso causava certa desconfiança em todos. É claro que agora, eu não me deixava mais anular pelas vontades de Ricardo, ou pelo simples fato de eu achar que estava respeitando o espaço dele, mas todas as mulheres gostam mesmo é de ser iludidas. Óbvio que seria ingenuidade demais da minha parte achar que uma retomada modificaria tudo, apagaria o passado, como se nada daquilo tivesse acontecido, mas... Eu cheguei a acreditar nisso.

...

Ricardo brincava com a minha mente, manipulava, induzia, jogava comigo como se eu fosse um peão de xadrez. Mas nada daquilo era visionado por uma garota boba de classe média, apaixonada. Mais uma vez eu me deixei levar, e mais uma vez eu cai nas armadilhas das palavras sedutoras dele. Mais uma vez, ele me tinha nas mãos para fazer o que quisesse. Eu tinha me apaixonado duas vezes pela mesma pessoa, e nem achei que eu fosse capaz de fazer isso.

As flores e as serenatas particulares, o poder de sedução, todas essas pequenas coisas que fazem a diferença voltaram a ser freqüentes no primeiro mês juntos “de novo”. E como de costume, enquanto isso existe, o sentimento só cresce, assim como se aduba uma planta. Essa calmaria e o mar de rosas reinaram durante um tempo razoável. Mais do que eu, inconscientemente, julgava. Durante seis meses eu acreditei que sim, poderia ser feliz ao lado dele de novo, como realmente fui. Mas, como todo começo tem um fim... Um novo inferno particular teve início. Dessa vez, não pelos meus ciúmes os cismas, mas pelas coisas da parte dele.

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Aos amores de uma vida: Amigos!




Sou muito feliz por tê-los, de alguma forma, mesmo que hoje, só na memória, ou “in memorian”. Todas as pessoas que marcaram pelo menos um pouquinho a minha história, são reconhecidas por mim mesmo como amigos. E cada fase da minha vida, fico feliz em reciclar, retomar os antigos, fazer novos, aumentando esse ciclo, que eu espero não ter fim.



Claro, eu tenho a minha teoria particular sobre os níveis de amizade. Existem aquelas amigas de colégio, que servem para fofocar sobre os gatinhos das turmas mais avançadas, ou aqueles amigos meninos, que todo mundo pensa que rola um climinha básico. Mas se rolar, o que é que tem? Afinal de contas, acho que você não escolheria um inimigo ferrenho para ser seu par.



Existem também aqueles amigos que estão sempre na sua casa, filando alguma coisa, mesmo que seja apenas a sua Internet, porque a dele “deu pau”. Aqueles que até a sua família adota, de tão freqüente que se torna a presença dele ali.



Mas dentre todos os subtipos de amizade, existem dois grandes grupos distintos, que devem ser levados em consideração: Amigos de Confidências e Amigos de Farra.



Amigos de Confidências são aqueles que, como o próprio nome já diz, você corre para contar seus segredos, suas confidências. É com ele que você vai chorar as suas mágoas de amores frustrados, de brigas em família, da sua primeira relação sexual, ou do amor proibido que você tem ou teve. Esse tipo de amigo costuma ser àquele pelo qual você daria a vida, se fosse necessário; que se passar por um perrengue daqueles, você faz das tripas coração para reverter a situação. São os seus amigos do lado esquerdo do peito, seus amigos de fé, irmãos camaradas.



Amigos de Farra são aqueles que você pode contar à qualquer hora para curtir uma boa night, para azarar alguém na praia, para te tirar da cama, quando a preguiça reina aos domingos. São eles que tornam seus dias mais alegres e espontâneos, que te arrancam uma risada até quando você não está muito bem. Que fazem piada do seu cabelo engraçado ou do tombo que você leva na escada de uma boate, bêbado como um gambá. São os seus amigos que você quer a companhia sempre que está solteiro, e que serão odiados pelos seus parceiros, se os mesmos não acompanharem o ritmo.



Não, eu não quis dizer que um grupo é mais ou menos alegre, que um se responsabiliza pelos seus momentos de dor e o outro não. Mas cá pra nós, a gente bem consegue distinguir quem é quem na nossa vida. E consegue ver a diferença de amizades que temos.

Mas será que é possível encontrar uma pessoa que faça parte dos dois ciclos, que corresponda aos quesitos encontrados em um e outro? Talvez... É uma possibilidade. Acho que conscientemente, você não trocaria confidências com uma pessoa que acabou de conhecer no barzinho, mas depois de cinco latinhas de cerveja (ou qualquer outra coisa)... A coisa muda um pouco de figura. Assim também pode ser que um dia, você vá comemorar seu aniversário naquele pagode (que fique bem claro que é só um exemplo) bombado do seu bairro, e consiga arrastar seus amigos mais íntimos, que não se arriscariam a entrar em um local como esse antes, não acha? Eu já fiz isso, e você também!



O importante é que ter uma vida cercada de amigos, de todos os tipos, de todas as tribos, faz um bem para o coração tão grande quanto tomar um cálice de vinho tinto por dia. A endorfina produzida pelo seu organismo, a sensação de prazer, as risadas, e as dores... Os estresses e as reconciliações... Cada momento é importante, e se não for para os dois, para pelo menos uma das partes, com certeza será.



E é por isso que hoje eu venho aqui, escrever essa pequena homenagem aos meus. Não tenho o costume de dizer que os amo, de abraçá-los, de beijá-los. Nem ao menos tenho o hábito de ligar aos fins de semana, pela minha insistente implicância com telefones. Mas é aqui que penso em todos eles, e os agradeço pelo simples fato de existirem, porque basta apenas isso, para me completarem.



E que seja considerado que à vocês, esteja registrado o meu abraço, o meu beijo, minhas trocas de “eu te amo” e tudo o mais. Desulpem-me meu jeito grosseirona, perdoem-me as falhas. Não sou tão perfeita nem tão ruim o quanto possa parecer.




E estejam sempre aqui, comigo; pois como dizia o poeta: Eu ficaria triste se um amigo meu morresse, mas enlouqueceria se todos se fossem.

(Dedico essa singela e humilde homenagem aos meus amigos de hoje, de ontem e aos que virão. Prefiro não citar nomes, posso falhar e esquecer-me de quem não deveria)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Medo de sonhar de novo - 15ª parte

Uma questão era verdade: Ricardo não sabia usar as palavras, quando constrangido. Muito embora essa fosse uma situação nada comum, foram raras as vezes em que me deparei com o Ricardo sem jeito, tentando medir as palavras. Essa foi uma dessas situações. Ele se perdia entre pedidos de desculpas e confissões, entre assumir os erros e culpar a mim ou a alguém. E eu resolvi intervir.

- Primeiramente, Ricardo: você definitivamente precisa controlar seus sentimentos adversos. Eu entendi o que você quis dizer, ou acho que entendi, Mas para um ser humano normal, isso não seria possível. Segundo, até aqui, você apenas se tornou uma pessoa prolixa. Você roda, roda, e acaba sempre no ponto de partida. Seja mais simples e direto, que quanto menos tempo a gente perder, mais rápido a gente resolve esse assunto!

Ele ficou meio assustado, quando o interrompi com essa profusão de palavras que ao mesmo tempo agressivas, eram aflitas para saber o que estava por vir. Mas ele ponderou sobre o que eu disse e viu que delongas não levariam a nada.

Um gole a mais de suco, para tentar aliviar a tensão, Passou a mão na testa para enxugar o suor frio que brotava dos poros sem calor. É, até eu estava começando a ficar tão tensa quanto ele, e ainda assim, eu não sabia o que era, embora eu começasse a desconfiar do enredo. E por fim, ele começou a falar.

Ricardo me explicava que no começo não entendeu os meus motivos para ter terminado o relacionamento. Achava que eu tinha ficado obsessiva com meus ciúmes doentios, e que tudo era coisa da minha cabeça. Porém, analisando com calma todas as coisas, dizia ser ele o errado e que não tinha percebido. “Por isso, queria te pedir perdão, e uma segunda chance!”.

Aquelas palavras causaram uma estranha sensação de contentamento e um frio no estômago que chegou a gelar a minha espinha. Tive que controlar as minhas expressões faciais para não demonstrar nem susto, nem alegria, nem o que quer que eu estivesse sentindo... Na verdade, eu não queria sentir. Eu queria simplesmente ser imparcial à opinião dele. Mas não consegui muito sucesso... A confusão expressa fez com que Ricardo me olhasse de uma forma estranha, tão ou mais confusa quanto eu.

Acompanhando a turbulência sentimental, eu fiquei sem palavras para dizer alguma coisa em resposta a pergunta dele. Ricardo me olhava fixamente, como que esperando alguma reação.

- Uma segunda chance é muito vago...
- Você entendeu o que eu quis dizer com segunda chance!
- É, entendi, mas o que você quer de mim? Quer me deixar maluca?
- Poxa, Jessi! Não faz isso... Eu apenas errei sem perceber, e quando me dei conta, era tarde demais. Só que ainda assim, eu quis arriscar. Por favor?

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Medo de sonhar de novo - 14ª parte

A minha garganta estava seca… dei uma golada de ar e, por conseguinte, consegui lubrificar com saliva o duto digestivo/respiratório. Ouvia vozes no fim do corredor, que eu até então não conseguia identificar ao certo. E então, tentei abrir meus olhos... A visão turva que me consumia a íris foi aos poucos se dissolvendo, e então pude ver o rosto que me observava atentamente, logo ao lado.

- Tereza, ela acordou!
- Vamos, vamos, ela acordou, exclamava a minha mãe, pelos corredores da casa.
- Ricardo, eu falei pra você que eu não queria você aqui... O que você quer???
- Calma, Jessi, eu vi aqui pra conversar com você... É que na verdade eu sinto a sua falta e, bem... Eu não fiquei mesmo sabendo das suas atuais condições, achei que você simplesmente tinha sumido por não querer mais me ver, e não porque estava... Assim!
-Assim como? (Eu escondia em minhas perguntas e agressividade a satisfação que eu sentia em vê-lo ali, do meu lado e preocupado comigo)
- Assim tão abatida, tão... Diferente!
- Se você veio aqui pra ser simpático, pode dando meia volta e sair daqui, por favor!
- Não vou sair daqui hoje sem conversar com você...
- Ai, minha filha... Não me dê mais um susto desses!!! Você está se sentindo bem? – Ricardo... me desculpe, meu filho, mas acho melhor você voltar outra hora.

Naquele momento olhei triunfante para o rosto preocupado de Ricardo. Não sei realmente o que ele procurava tentando conversar comigo. Já disse que não queria mais nada com ele, e por mais que a dor da perda fosse grande, não justificava uma recaída. Mas tenho que admitir que o contato com ele me fez ficar um pouco mais viva, um pouco menos inerte e imersa naquele submundo escuro em que me enfiei e não queria mais sair. E a melhora foi gradativamente visível.

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Todas as memórias que borbulhavam em minha mente estavam me matando pouco a pouco. Parte de mim procurava reagir e salvar o pouco de sanidade que me restava depois de tudo o que passei em alguns anos anteriores. Ao mesmo tempo, eu era insuportável e constantemente sugada ao buraco negro que há tanto tempo havia sido controlado. A cada sono mal dormido, me via mais parecida com o ser estranhamente obsceno e repugnante que conheci em mim mesma. Nunca pensei que uma pessoa comum pudesse se tornar alguém tão insignificante e desprezível ao mesmo tempo.

Além disso, cada vez que o sono batia, tinha mais medo de sonhar de novo. Os meus sonhos nada mais eram do que uma reprise bem feita dos pesadelos mais escabrosos que um dia eu tive. Pesadelos esses que refletiam uma realidade constante, até meu tratamento psiquiátrico. Bom, até aqui pelo menos.

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- Ricardo, sou eu!
- Oi Jessi, já está melhor?
-Muito melhor do que você, pode ter certeza!
- Então, já podemos conversar?
- Se não pudesse, eu não estaria ligando...
- Ok, trator! Quando eu posso te ver?
- Não precisa! Estou na frente da sua casa!

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- Que bom te ver, Jessi! Ainda bem que você está melhor...
- Bom, não posso dizer a mesma coisa, quanto a te ver, mas... Sabe como é? A curiosidade feminina é um problema sério.
- Eh... hum... Bom, entre... Fiquei à vontade!
- Nossa! Estou vendo que muitas mudanças aconteceram por aqui... Espere aí... Mudanças essas que eu te sugeri há um tempo.
- Pois é... Isso é uma parte do que eu gostaria de ter conversando com você, quando a senhorita quase me expulsou da sua casa, mesmo que... Desculpe! Não queria tocar no assunto.
- Não por isso... Pois bem, não se bebe nada nessa casa?
- Desculpe! Quer alguma coisa?
- Whisky... O melhor que você tiver aí...
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- Hahahaha.... Brincadeira, eu não posso beber, lembra? Remédios controlados!!! (Essa era realmente uma brincadeira desnecessária naquele momento, mas eu quis quebrar o gelo, e na verdade, qualquer clima que pudesse pintar, por estarem ali, os dois sozinhos).
- Han... Ok, um suco, talvez?
- Ok... Um suco!

Dali por diante, eu comecei a me perguntar o que eu estava fazendo? Agi por um impulso incontrolável da minha curiosidade insana, mesmo que ainda não estivesse muito bem. Mas agora, meio caminho tomado não me permitia voltar atrás. E já que um ato impensado havia me levado até ali, melhor dar cabo de todo o processo, sendo fiel aos propósitos iniciais: saber o que o Ricardo queria naquele último dia de crise.

Depois de gentilmente me servir, percebi que um brilho diferente penetrava os olhos de Ricardo. Ainda não conseguia entender claramente o que aquilo significava. Saberia mais adiante.

Sentamos no sofá bege encardido da sala um pouco mais harmoniosa do que a minha antiga visão dos aposentos de Ricardo. Ele me questionou sobre se eu havia gostado das mudanças feitas, e eu concordei levemente com a cabeça. Ainda um pouco constrangida com toda aquela situação, continuava me indagando internamente o que eu estava fazendo ali, e por conta dos pensamentos a minha timidez foi tomando conta de mim. Me vi como uma criança boba que não tem argumentos para conquistar aquele pirulito que o pai tomou.

Finalmente, ele puxou assunto e perguntou diretamente o que eu estava fazendo. Não entendi com que intenção aquela pergunta havia sido feita, inicialmente, e fiz uma cara engraçada e curiosa ao mesmo tempo. A minha reação provocou um leve riso no canto da boca de Ricardo, que refez a pergunta com mais objetividade. A única coisa que saiu da minha boca naquele momento foi “Vim saber o que você quer me falar, vim para te ouvir”.

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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Medo de Sonhar de novo - 13ª parte

Embora eu me recusasse a um tratamento qualquer, minha mãe procurou algum auxílio com especialistas, e compro um calmante. Ela me dava as dosagens necessárias misturadas às bebidas e comidas que ela me forçava a ingerir. E assim, ela me dopava, de pouquinho em pouquinho, para que eu pudesse dormir e me pusesse mais maleável às opiniões alheias.

Mamãe preocupava-se cada dia mais com o meu estado. Ela, por estar de fora, conseguia enxergar o que eu demorei a ver. Mentalmente, eu não estava bem, e tudo isso por causa de uma desilusão amorosa. Ninguém poderia compreender ao certo o porquê disso tudo; não era natural, não era normal. Nunca fui uma pessoa tão presa, tão ligada aos meus companheiros anteriores, e então, não conseguia compreender o que havia de errado dessa vez.

Esse estado deplorável durou como apenas uma manhã, para mim, mas a minha mãe anotava dia após dia minha evolução mental. Ás vezes melhorando, às vezes recaindo, às vezes pior do que todas as vezes anteriores. Eu, pessoalmente, não posso dizer ao certo como me sentia, porque todas as informações adquiridas nesse tempo estão tão apagadas como quando formatamos o HD do nosso computador. Era realmente uma estática, e o meu verdadeiro eu havia se escondido em algum lugar da minha mente, que eu não conseguia achar.

Um mês e meio se passou na casa, e eu já estava de cama. Essa fase letárgica, de coma semi-induzido já alcançava os dois meses, no total. Não satisfeita em me dopar, mamãe chamou um psiquiatra pelo telefone, e explicou a minha condição. E eu só sei da minha recusa porque a minha mãe me contou. Mas o estalar de dedos do “acorda!” veio com um barulhinho que eu não ouvia havia muito tempo. Um toque personalizado que vinha do meu celular...

Quem estava presente no momento, viu uma cena bizarra: aquele ser magro e sem vida, cor de laboratório, despenteado e apático se virou com vigor para estender as mãos até a cabeceira. Os olhos que voltaram a ter brilho contrastavam com a opacidade da pele morta do rosto chupado da menina. Ao pegar o telefone, tive a confirmação, quem me ligava era Ricardo.


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- A-eeer-a-alô?!
- Boa tarde! Gostaria de falar com a Jéssica, por favor?
- ...
- Jéssica, é você?
- Sim...
- Oi Jessi, eu tentei te ligar algumas vezes, mas não consegui, não tive coragem. Fiquei sabendo que você não está muito bem, e...
- Quem te disse que eu não estou bem, Ricardo? Eu estou ótima, obrigada!
- Jessi, você é péssima atriz... E quem entrou em contato comigo foi a sua mãe.
(Caramba, que facada no peito... A minha própria mãe traindo as minhas condições)
- Ta, se eu estou ou não bem, acho que isso não importa muito pra você... Não foi importante quando terminamos.
- Você terminou, Jessi... Você!
- E o que você quer?
- Conversar com você, será que é posível?
- Não!
- Ok! Estarei na sua casa daqui a pouco.


“Mãããããããããeeeeeeee...” – Aquele grito, eu dei com as últimas forças que me sobravam, para me manter acordada. Após isso eu apaguei em desmaio, mas tenho certeza de que a vizinhança também o ouviu. Dez minutos depois, acordei com os rostos da minha mãe e de Ricardo, acima do meu, esperando o meu despertar forçado, com algodão banhado em vinagre.

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terça-feira, 13 de julho de 2010

Medo de Sonhar de novo - 12ª parte

Durante a primeira semana após a minha decisão de terminar, tive experiências muito ruins, conhecendo o meu corpo e suas reações ao amor, na sua pior face. Vômitos, tremores, calafrios e febres delirantes. Ter um coração partido ou ferido por alguém se torna insuportável quando a distância piora os sintomas, e a outra pessoa se mostra indiferente a você.

Assim Ricardo me tratou durante aquele estágio inicial. Parecia que ele reagia como que com o orgulho ferido, como alguém que tivesse sido injustiçado, como se eu fosse a carrasca da história toda. Poucas eram as pessoas que sabiam da real história, e na verdade, ninguém sabia mais do que eu o que se passava pela minha mente naqueles momentos, o meu motivo para não dar continuidade.

Com a mudança de comportamento da pessoa a quem devotei meus últimos lampejos de sanidade, fiz esgotar a fonte de lucidez. Tentava reconhecer no espelho uma pessoa que não existia mais, que apenas pertencia ao passado não tão distante, e à memória de alguns. Pouco a pouco, fui percebendo no monstro que eu criava, à pão de ló dentro de mim. Vi também o monstro me corroer por dentro, fazendo com que eu despejasse em qualquer lugar o que eu não tinha em meu estômago. O que vinha era apenas um sinal da rebelião das vísceras: um líquido viscoso e verde, provavelmente vindo da Bile.

Cinco quilos mais magra depois de uma semana, tentei me olhar novamente naquele espelho, que acabei tapando com uma toalha de mesa branca e fina. Não suportei ver sequer a mancha roxa que circundava os meus olhos, como quem estivesse em recuperação de uma luta de boxe. Não conseguia entender o que estava acontecendo comigo naquela situação, não tinha nem forças para reagir, mesmo que meu interior estivesse gritando insistentemente por socorro.

Finalmente, algum sinal de luz apareceu como que para ofuscar os meus olhos. Preocupadas comigo, porém ainda magoadas com o meu comportamento anterior, as meninas da República resolveram fazer uma reunião e me chamar para participar, e, claro, saber como eu estava reagindo a tudo aquilo... Elas sabiam que não era nada bom o meu estado, e que minha companhia não era nenhum pouco agradável. Nem banhos eu tomei com freqüência nos últimos dias, e já estávamos entrando na segunda semana sem Ricardo na minha vida.

Ter os olhos chocados das meninas em cima de mim foi um tormento sem fim. Algumas mal me viam pela casa, outras nem mais se davam conta da minha existência, a não ser pelo meu quarto. Com os últimos relatos, Bianca, a presidente da República, me aconselhou a ficar fora do quarto por um tempo, e voltar para a casa da minha família. Por um tempo relutei, mas vi que sim, essa poderia ser a melhor opção, até mesmo para fugir das lembranças recentes.

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Mais uma semana cuspindo a gosma verde, não me alimentando, e providenciando a minha retirada da República, e Voilà! Eu era praticamente um retrato falado do Smeagol, o personagem da história “Senhor dos Anéis”. A transformação só foi realmente relevante pra mim, quando cheguei em casa, e a minha mãe quase não me reconheceu, a não ser por um dos traços mais marcantes em mim: os olhos. Ainda que embaçados, vidrados e sem vida, ainda assim, a minha mãe os reconheceria, e assim fez.

Horrorizada com o meu estado, mas sempre elegante ao ponto de tentar disfarçar, minha mãe escondia o desespero, mas me olhava com compaixão. Ela me deu todo o espaço do mundo para falar até onde eu quisesse, e até onde eu pudesse. Não tocava no assunto por ela mesma, mas me recomendou uma visita ao médico.

Eu achei tudo aquilo um exagero... Médico para quê? Eu estava apenas passando por uma fase ruim, que com certeza passaria. Com certeza aquilo era neura de mãe, e eu não queria mesmo ir a médico algum. Mas no final da terceira semana, eu á não tinha mais o que emagrecer ou desidratar, os meus vômitos, eram crônicos, e nada dava jeito; as minhas olheiras já não cabiam em meu rosto, e as noites varadas sem sono, me tornavam quase uma vampira. As alucinações não eram mais da febre, e sim, do fruto da minha imaginação, e eu estava, ainda que sem saber, ficando louca.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Medo de Sonhar de novo - 11ª parte

Algumas coisas foram se modificando com o tempo. Aos poucos, as pessoas que estavam em nosso convívio puderam perceber nosso afastamento dos outros. Começávamos a viver um mundinho completamente nosso, pelo menos a meu ver. Ainda que em público, éramos sempre apenas eu e ele, ele e eu, e nada mais. Nada mais importava, e eu sentia que sem ele, a minha vida não andaria.

Eu ficava, aos poucos, completamente cega às influências externas, e enxergava apenas o Ricardo e todas as coisas que faziam referências a ele. Todas aquelas formas de falar e me encantar pareciam um feitiço. Eu conseguia apenas enxergá-lo, e isso foi, aos poucos, me tornando uma pessoa retrancada, retraída e anti-social.

Cheguei ao ponto em que as minhas amigas da república não me chamavam para os eventos, nem para ir ao cinema, sequer trocávamos muitos olhares. Aos poucos fui deixando de assistir as aulas da faculdade e, em menos de seis meses de namoro, decidi trancar o meu curso, para ter mais tempo a dedicar ao meu amor. Aquele amor que me consumia como um filho, que exigia atenção vinte e quatro horas diárias, e se eu pudesse deixar de dormir para dar atenção, para viver mais intensamente todo aquele vício.

E comecei a perceber o mundo de Ricardo ao meu redor. Quando estávamos à sós, éramos um completo aconchego. Tínhamos conversas sobre tudo, e ele pode conhecer um pouco mais de mim, parte essa que ficava escondida de todas as outras pessoas, e que aparecia apenas nos momentos de intimidade. Assim como eu, Ricardo também tinha uma versão dentro de casa. Era leve e suave, sem aquele ardor de clima de sedução, mas com o fogo do clima de romance, o carinho.

À medida que eu me tornava um ser isolado do mundo, Ricardo passou a me olhar com outros olhos. A arte de seduzir que já não era tão intensa, mas ainda assim existia. Perto das outras pessoas, ele era o galanteador que continuava suas investidas. Mas não comigo. O Don Juan de Marco ainda estava lá, mas para as outras pessoas, para outras mulheres. Junto com o meu vício, percebi que residia em mim uma doença chamada ciúmes.

Esse tipo de comportamento gerou uma série de discussões, de atritos, de confusões. Sempre achava que esse era o instinto natural do Ricardo, e que a culpa era das oferecidas sem par que o rodeavam. E eu sempre discutia, brigava, jogava podres no vento, como se eles existissem. O desgaste do meu relacionamento com Ricardo veio daí, e eu não resisti, e terminei.

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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Medo de sonha de novo - 10ª parte

Chegamos finalmente em casa, após a pequena viagem do shopping até a república da faculdade. Todo aquele percurso, que outrora parecia uma eternidade tornou-se extremamente rápido, graças à companhia. Chamei Ricardo para entrar, e educadamente ele recusou o convite, mas eu insisti. Expus o meu próprio ponto de vista, sobre a sua furtiva visita, enquanto eu estava em nenhuma condição de recebê-lo. E então, ele concordou entrar por alguns minutos, mas deixou claro que ele não queria ser responsabilizado por eu não estudar para meus exames.

Ofereci uma xícara de café, algo que raramente podia ser encontrado dentro de casa, visto que nenhuma das meninas era chegada. Mas guardávamos um pouco de Nescafé solúvel, para casos de emergência, como esse. E dentre um gole e outro, acabamos alguns assuntos que ficaram pendentes dentro do carro. E então, fui notificada do interesse repentino dele por mim. Ricardo dizia que eu era um ser muito peculiar, e que isso o fascinava, mas que além de tudo, havia o interesse corpóreo, o toque, a pele, a atração, e todos os outros fatores que levam um ser humano a ser atraído por outro.

Fiquei extremamente vaidosa com todas as coisas que pude perceber que ele notou em mim, em tão pouco tempo. Meu ego foi massageado de forma gostosa e relaxante. Senti uma ponta de timidez, e essa, mesmo que a menor parte dos meus sentimentos, foi a que eu mais exteriorizei, mesmo que involuntariamente.

Mas olhei fundo, olhei nos olhos. Senti a respiração parar por alguns segundos, antes que eu pudesse tomar qualquer tipo de atitude. E pensei que aquela seria a hora de ser espontânea o suficiente, para atacar. E ataquei. E acertei o bote. E assim aconteceu o nosso primeiro beijo. Muito melhor do que eu imaginava...

Senti um arrepio percorrer toda a minha espinha, e se enraizar por todas as partes do meu corpo, jorrando uma corrente elétrica até as extremidades dos meus dedos. Era uma sensação sublime! Na verdade, era um beijo muito mais do que comum, mas todo aquele clima de sedução, toda aquela expectativa, o momento, a atitude, tudo tornava aquele momento muito melhor, quase que mágico. E quando findou-se o beijo, parecia que eu tinha despertado de um sonho. Sonho do qual eu queria nunca mais acordar. Mas ele tinha que ir embora, e eu tinha que estudar, além do que eu não podia dormir tarde. E então, Ricardo se despediu de mim com mais um beijo encantador, e prometeu que voltaria.

Ele cumpriu. Ele voltou. E a cada volta, era mais um laço estreitado entre nós. Ricardo parecia ser aquele complemento de vida que tanto procuramos para nós mesmos. Parecia sim, que ele tinha um manual de instruções de como tornar os meus momentos mais felizes, complementar as minhas frases, adivinhar os meus pensamentos e me agradar da exata forma que eu gostaria de ser. Mimava, acarinhava, aconchegava, tudo era tão maravilhoso, e tudo era tão intenso que o nosso relacionamento evoluiu para um namoro, muito mais rápido do que eu e ele imaginávamos, e muito antes do que supostamente gostaríamos, ha um tempo.

Todo o nosso relacionamento tinha uma aparência de tão perfeito, e assim era, que causava inveja nas minhas amigas de república. E nas amigas de classe, e em todas as pessoas que almejavam um relacionamento de comercial de margarina. E os dias se passavam e eu sempre mais envolvida, sempre mais apaixonada pelos discursos, pelas palavras corretamente selecionadas, pelos movimentos de mãos em sincronia com os dizeres, pelas expressões faciais, e por tudo de bom que ele me proporcionava. Tudo era tão magnífico, e tudo me viciava, e eu queria sempre mais.

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Medo de sonha de novo - 9ª parte

Respirei todo o ar que pude puxar para os meus pulmões naquele momento. O grito que precedeu a inspiração profunda assustou até os pássaros que repousavam na fiação elétrica em frente à minha casa. O suor escorria frenéticamente pelo meu rosto, e eu estava lívida, com os olhos vidrados e assustados. O pesadelo tinha sido terrível.

Todo aquele processo de lembranças à tona trouxeram o pânico. Nem o anti depressivo estava dando conta daquilo tudo. As águas salgadas transbordantes já estavam presentes em meu rosto novamente. Começava a perceber, então, que aquilo não acabaria tão cedo.

O celular tocava, e apenas muitos minutos depois de acordada eu conseguia perceber seu ruído, naquele momento estridente e estranhamente perturbador. Eu tinha completa noção de que não havia forças suficiente dentro de mim, nem para caminhar até o telefone. Mas ele tocava insistentemente, e eu me arrastei pelo chão, onde eu já me encontrava; e pela cama, até alcançá-lo.

Um embrulho no estomago tomou conta do meu corpo e da minha mente. Ricardo? Fixei o olhar, pois a visão estava cada vez mais turva e sentia que iria apagar. Mas ainda lembro que antes disso, um pensamento veio acompanhado da minha queda em cima do meu próprio vômito: Por que ele voltava?

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