É natural, do ser humano. A minha dor é maior que a sua; a sua vida é melhor que a minha; meus problemas são devastadores, e você deveria parar de reclamar, porque o seu problema, não é nada comparado ao que eu já enfrentei nessa vida...
Hoje, passeando pelas redes sociais, estive refletindo sobre dois perfis, distintos, que encaram problemas sociais diferentes... E pensei no quanto isso me afeta, e se eu estou fazendo o certo em minha vida. Vim pensando sobre isso, porque recentemente estou num conflito interno, que pouco ou nada transparece aos olhos de quem, há uns anos, me viu pelas telas do computador. Tenho parado de me expor, de fato... Conselho de amigos que, delicadamente, me disseram que mesmo quem não me conhece, sabe demais da minha vida... Só olhar o meu perfil!
Uma dessas pessoas é alguém com quem pouco convivi, mas aprendi a olhar sob uma forma diferente da usual, quando ainda trabalhávamos no mesmo lugar. Como pode, seis anos de diferença fazerem TANTA diferença? Essa pessoa hoje encontra-se divorciada, por duas vezes, é bem sucedida, profissionalmente, e mãe. Quando a conheci, achei que ela era a mulher mais bonita que eu já tinha visto em toda a minha vida; porém, um tanto... Nariz em pé!
E de fato, era. Nada que fugisse às regras da forma como foi criada, do berço onde se criou, da educação que lhe foi dada. Uma moça estilo "paquita", cria de um bairro nobre, típica patricinha nojentinha, das quais eu sempre procurei manter distância. E, alguns anos depois de conhecê-la, a conheci de uma outra forma. Sempre muito elegante - é, essa parte eu nunca deixei de admirar - veio solta, leve, recém divorciada, à uma "night" com as amigas. Muito mais magra, abatida, mas trazia em si um sorriso no rosto, um esforço de reerguida.
A pessoa estava naquele momento de redescoberta do seu EU, que involuntariamente acaba se anulando em partes, quando se está muito tempo como casal de outra pessoa. Não que isso seja ruim, mas é um processo árduo, de reconstrução do seu eu único, solteiro. É saber se você realmente gosta de um certo vinho chileno que provou com ele, é voltar a dançar o pagode de antes de namorar. É vestir o longo porque gosta, e não porque é moralmente correto à família dele.
Quando ela finalmente encontrou o seu brilho singular, ela se acertou com um "caso" de uma night... Os encontros se tornaram compromisso, e em pouco tempo vinha um casamento, seguido de um "baby" lindo! Os dois pareciam casal de comercial de margarina. Perfeitos, lindos, intocáveis. Será que eles brigavam??? E brigariam por que, se tudo entre eles parecia tão sublime?
Foi quando, recentemente, depois de uma postagem um tanto quanto suspeita, resolvi entrar em seu perfil e vi que, realmente, o casamento havia terminado. E eu pensei: de novo? E me arrependi de ter pensado daquela forma, ao imaginar por todo sofrimento pelo qual ela deve estar passando, mais uma vez, e ainda com o peso de ter um filho pra não transparecer dor, e que ainda é fruto daquele relacionamento que não deu certo...
Em outra vertente, dentro da minha família, tivemos uma perda lastimável! Um rebento que não chegou a respirar, prematuramente deixando a vida, e devastando a vida dos que o geravam. Uma recente e mínima aproximação me fez presenciar momentos de intimidade além do que eu poderia imaginar. Brigas, todos os casais têm! Mas sempre admirei, por exemplo, meus pais, que independente de onde e quando acontecia... Lavavam a roupa suja em casa.
Óbvio que o fato rendeu um discurso de desculpas por mensagem eletrônica. Pouco me importei com o fato em si, e fiz questão de deixar claro que mesmo não gostando de presenciar tais fatos, não criticava. A vida à dois nunca é um mar de rosas... E assim como uma briga, perder um filho ainda não gerado completamente é de uma dor tão grande quanto se já estivesse em vida. Meus sentimentos, mesmo que não expressos, pessoalmente, à famila!
E então pensei... A distância entre as idades também não é a maior do mundo, e esta também é uma mulher que sofre... Sofre pela perda de um ente já querido, e como foi querido, pois seria o rebento macho, completaria um casal, realizaria o sonho da maior parte das mães que querem ter mais de um filho. Tão dilacerada quanto.
Bom, e eu, estou aqui, nos meus 26 quase 27 anos, me lamentando internamente porque estou à beira dos 30, e ainda não resolvi a minha vida amorosa ou financeira, de fato. Observo, aguardo, espero, e deixo passar oportunidades que talvez tivesses me dado um outro destino, hoje!
Será que o que não é hoje, talvez fosse melhor, se o passado tivesse tomado outros rumos? Será que as dores e os sofrimentos por o que quer que seja que eu sofra, não apareceriam, ou seriam maiores? E se eu já tivesse casado? Estaria ainda hoje com a mesma pessoa, ou colecionaria uma série de ex? Se tivesse filhos, estariam todos bem e saudáveis? Teria eu perdido algum?
O sofrimento alheio não me torna uma pessoa mais feliz, pelo contrário, me faz pensar no futuro que eu quero pra mim, sobre o que eu quero mudar, e se realmente eu quero mudar.