quarta-feira, 10 de agosto de 2011

... 19 horas

Em Brasília... 19 horas!

E então, começamos a aventura. Cheguei ao aeroporto e dei de cara com rostos desconhecidos. Procurei alguma familiaridade entre brancos e negros, altos e baixos, em vão! Fui retirando meu carrinho da zona de desembarque e aguardei do lado de fora durante uns 5 minutos. De repente, o meu alívio! Vejo as minhas primas Se encaminhando lentamente para o local que deveriam estar havia uns 10 minutos. Mas a festa de recepção foi boa! Escandalosamente boa...

Pouco foi o tempo que dispunha para aproveitar da viagem. Não tive planejamentos prévios, pois confiei meus passeios turísticos aos moradores, cidadãos locais, dos quais guardo pela obra da genética, alguma ligação parentesca.

Não foi das mais prudentes atitudes que tomei nos últimos anos, pois desliguei-me completamente de uma das minhas filosofias de vida mais fortes - não depender de outras pessoas. E assim fiquei, durante os nove dias completos que passei na terra do barro vermelho. Convenhamos, não ter planejamento básico, quando se tem um tempo curto para conhecer os lugares, não é lá a melhor coisa a se fazer... E quando se precisa de outras pessoas, que demandam tempo e espaços diferentes do seu, é bem pior!

Então, onde eu consegui ir, fiz o favor de aproveitar até a última gota, ou pelo menos quase isso. De festas particulares, aniversários e "cachaçais" aos pontos turísticos mais conhecidos, de cada um trouxe uma pequena lembrança. Algumas somente na memória, infelizmente.

E não porque eu tenha feito de propósito... NÃO! É que até a máquina fotográfica resolveu me sacanear e COMEU, sei lá como, algumas fotos das mais belas que tirei daquela cidade, que foi planejada até nas queimadas em época de seca. Uma lástima inenarrável, que guardo em rancor mudo dentro do peito. Afinal... Reclamo com quem? Com a Sony??

Mas... mudemos de vertente. Lamuriar não trará minhas férias com maior tempo, e nem as minhas fotos de volta - mesmo, porque eu já até visitei a Fuji (vulgo Foto PlimPlim) para ver se conseguia um "recover" do cartão de memória... E nada!

Estar com os parentes distantes foi algo muito bom! E eu realmente precisava fazer vagar a minha mente por outros espaços, em sentido literal. Distrair a mente, estar com quem, há muito, não via, matar as saudades, conhecer gente nova. É quase a sensação infante de cheirar o álcool das folhas do mimeógrafo - hipnotizante, viciante.

Chegando em casa, fui recebida com uma mesa de guloseimas que permaneceu ali, perseguindo a mim e ao meu peso, durante os outros dias! E ai de mim, se eu não comesse!!! Graças aos meus entes queridos, voltei ao Rio com alguns quilos a mais.

Portanto, resolvi que acompanharia as minhas primas em caminhadas e corridinhas saudáveis durante alguns dias da semana, para, pelo menos, conseguir tornar o efeito dos exageros gastronômicos não tão devastadores!!! E que arrependimento de ter tentado correr alguns metros... Acho que a minha mente se sentiu tão à vontade entre os meus, que eu esqueci que a terra não era minha... Que a secura não era minha! A baixa umidade relativa do ar me causou uma grande cefaleia e uma queimação horrível na região primeira do meu duto respiratório. Tive que parar!

A seca e o sol quente davam a vontade de estar sempre na água... Mas quem disse que eu conseguia? Dourei o corpo na beira da piscina, com banho de gato, porque a água, mesmo em contato direto com o calor solar, não esquentava, e tomar banho nela era como entrar na cachoeira em dia de inverno. Acho até que queimava mais a pele do que o próprio Astro Rei!

E a cena se repetia no Lago Norte, onde não só a água gelou, como também meu coração,
ao dar de cara com uma pedra que, a princípio, se assemelhava tanto com a cabeça de crocodilo, que me fez perder o humor, a cor, e os movimentos! Depois de algum tempo de observação, percebi que era SÓ uma pedra, graças à Deus!


Além disso, tive a oportunidade de vivenciar a festa de aniversário das minhas primas Camila e Isabela. Que me embebedaram em uma, e me levaram ao Parque da Cidade, em outra, num parque chamado Nicolândia! É, eu gostei... Principalmente porque no parque e no churrasco, consegui ficar vesga de não saber para onde eu olhava ou prestava atenção.

É, tenho que admitir que tem um povo de Brasília que me estimularia muito a ficar!! Hahahaha Quanta gente bonita, meu Deus! E não estou falando só de homens, mas as mulheres também. Me senti até mais uma no meio de tantas, se eu não tivesse meu diferencial do "X" na pronúncia!

Mas além dos quilos, trago no peito a vontade de retornar mais vezes, a saudade dos parentes que lá moram, a lástima de ter esquecido objetos pessoais, que sei lá quando os verei novamente, a vontade de me bronzear mais, a saudades dos cachorros, em especial o Pingo, que me dava "bom dia" todos os dias! As experiências, as histórias, os micos pagos em um bar de Taguatinga, o não compromisso com ninguém, as novas e as velhas amizades!

E assim que eu puder, verei novamente as coisas mais belas daquela cidade, que me apresentou seu poder impregnante, tal qual o seu barro vermelho!