Respirei todo o ar que pude puxar para os meus pulmões naquele momento. O grito que precedeu a inspiração profunda assustou até os pássaros que repousavam na fiação elétrica em frente à minha casa. O suor escorria frenéticamente pelo meu rosto, e eu estava lívida, com os olhos vidrados e assustados. O pesadelo tinha sido terrível.
Todo aquele processo de lembranças à tona trouxeram o pânico. Nem o anti depressivo estava dando conta daquilo tudo. As águas salgadas transbordantes já estavam presentes em meu rosto novamente. Começava a perceber, então, que aquilo não acabaria tão cedo.
O celular tocava, e apenas muitos minutos depois de acordada eu conseguia perceber seu ruído, naquele momento estridente e estranhamente perturbador. Eu tinha completa noção de que não havia forças suficiente dentro de mim, nem para caminhar até o telefone. Mas ele tocava insistentemente, e eu me arrastei pelo chão, onde eu já me encontrava; e pela cama, até alcançá-lo.
Um embrulho no estomago tomou conta do meu corpo e da minha mente. Ricardo? Fixei o olhar, pois a visão estava cada vez mais turva e sentia que iria apagar. Mas ainda lembro que antes disso, um pensamento veio acompanhado da minha queda em cima do meu próprio vômito: Por que ele voltava?
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