quarta-feira, 23 de junho de 2010

Medo de sonha de novo - 10ª parte

Chegamos finalmente em casa, após a pequena viagem do shopping até a república da faculdade. Todo aquele percurso, que outrora parecia uma eternidade tornou-se extremamente rápido, graças à companhia. Chamei Ricardo para entrar, e educadamente ele recusou o convite, mas eu insisti. Expus o meu próprio ponto de vista, sobre a sua furtiva visita, enquanto eu estava em nenhuma condição de recebê-lo. E então, ele concordou entrar por alguns minutos, mas deixou claro que ele não queria ser responsabilizado por eu não estudar para meus exames.

Ofereci uma xícara de café, algo que raramente podia ser encontrado dentro de casa, visto que nenhuma das meninas era chegada. Mas guardávamos um pouco de Nescafé solúvel, para casos de emergência, como esse. E dentre um gole e outro, acabamos alguns assuntos que ficaram pendentes dentro do carro. E então, fui notificada do interesse repentino dele por mim. Ricardo dizia que eu era um ser muito peculiar, e que isso o fascinava, mas que além de tudo, havia o interesse corpóreo, o toque, a pele, a atração, e todos os outros fatores que levam um ser humano a ser atraído por outro.

Fiquei extremamente vaidosa com todas as coisas que pude perceber que ele notou em mim, em tão pouco tempo. Meu ego foi massageado de forma gostosa e relaxante. Senti uma ponta de timidez, e essa, mesmo que a menor parte dos meus sentimentos, foi a que eu mais exteriorizei, mesmo que involuntariamente.

Mas olhei fundo, olhei nos olhos. Senti a respiração parar por alguns segundos, antes que eu pudesse tomar qualquer tipo de atitude. E pensei que aquela seria a hora de ser espontânea o suficiente, para atacar. E ataquei. E acertei o bote. E assim aconteceu o nosso primeiro beijo. Muito melhor do que eu imaginava...

Senti um arrepio percorrer toda a minha espinha, e se enraizar por todas as partes do meu corpo, jorrando uma corrente elétrica até as extremidades dos meus dedos. Era uma sensação sublime! Na verdade, era um beijo muito mais do que comum, mas todo aquele clima de sedução, toda aquela expectativa, o momento, a atitude, tudo tornava aquele momento muito melhor, quase que mágico. E quando findou-se o beijo, parecia que eu tinha despertado de um sonho. Sonho do qual eu queria nunca mais acordar. Mas ele tinha que ir embora, e eu tinha que estudar, além do que eu não podia dormir tarde. E então, Ricardo se despediu de mim com mais um beijo encantador, e prometeu que voltaria.

Ele cumpriu. Ele voltou. E a cada volta, era mais um laço estreitado entre nós. Ricardo parecia ser aquele complemento de vida que tanto procuramos para nós mesmos. Parecia sim, que ele tinha um manual de instruções de como tornar os meus momentos mais felizes, complementar as minhas frases, adivinhar os meus pensamentos e me agradar da exata forma que eu gostaria de ser. Mimava, acarinhava, aconchegava, tudo era tão maravilhoso, e tudo era tão intenso que o nosso relacionamento evoluiu para um namoro, muito mais rápido do que eu e ele imaginávamos, e muito antes do que supostamente gostaríamos, ha um tempo.

Todo o nosso relacionamento tinha uma aparência de tão perfeito, e assim era, que causava inveja nas minhas amigas de república. E nas amigas de classe, e em todas as pessoas que almejavam um relacionamento de comercial de margarina. E os dias se passavam e eu sempre mais envolvida, sempre mais apaixonada pelos discursos, pelas palavras corretamente selecionadas, pelos movimentos de mãos em sincronia com os dizeres, pelas expressões faciais, e por tudo de bom que ele me proporcionava. Tudo era tão magnífico, e tudo me viciava, e eu queria sempre mais.

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