quinta-feira, 14 de outubro de 2010

No futuro...

Abrindo os olhos furtivamente, pensei: preciso de papel e caneta... Mas antes, precisava me levantar, e isso o frio não permitia, na calada da noite.

Persista, Eloá... Se não, ela vai embora. E vagarosamente, com todo o meu pezar, fiz o edredon vazar o vento que me espreitava, do lado de fora. Mais um pouco, e eu estava levantando da cama.

Catei dentre as minhas bagunças de quarto dividido meu caderno antigo, com suas folhas amareladas. Revirei minha bolsa atrás do meu estojinho de curso de inglês, que sempre me acompanha onde quer que eu vá. Caneta e papel... Aqui vou eu.

Traço os primeiros rabiscos desconexos nas linhas iniciais, tentando lembrar do sonho que tivera há pouco. O exercício mental me trazia uma leve dor na cabeça, que atrapalhava o andamento da obra. Ainda assim, respirava vagarosamente com o intuito de buscar no fim de cada inalação a inspiração que se perdia na enxurrada de pensamentos que insistiam em não me deixar concluir a escrita.

Mas essa briga da mente foi recompensada, pois depois de alguns minutos perdidos madrugada afora, mais um texto se fazia completo, mais uma obra para a coleção dos meus poemas e histórias, que ficará guardado na minha pasta, para a leitura da posteridade.

E quando eu estiver mais idosa,estarei como a minha mãe faz hoje... Lendo as caligrafias tortas da juventude, os erros de português, e os sentimentos desperdiçados, rindo de todo um passado que fará parte do meu futuro, como o peso de um mundo nas costas da experiência.

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