quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Divagações sobre as filosofias da madrugada - Alzheimer Cultural

Bem, e aqui estou eu, tentando filosofar com os meus botôes, em plena quinta-feira, às 01:46 da manhã!

Sim, tem dias em que eu sinto uma grande vontade de filosofar, de divagar por ai, soltando palavras ao vento... Nem sempre isto é possível, uma vez que a vontade não acompanha a inspiração; e assim como escritora, uma crítica voraz, não me satisfaria com pobres transcrições literárias.

Mas quando a inspiração vem... Me ponho a falar de quê? Percebi, lendo os meus próprios textos, que sou adepta às análises da profanação sentimental humana. Sou fã incondicional dos sentimentos e das reações químicas provocadas pelo simples fato de se tocar no assunto. Discuto o amor e o ódio, como irmãos siameses que possuem duas cabeças de personalidades completamente diferentes, mas que habitam a mesma morada.

Mas e eu? E o meu EU interior? O que eu poderia falar de mim? O que existe em mim, na verdade, se escondendo em formas de letras e palavras que compõem textos de leitura medíocre, que não alcançam a popularidade de Stephany Meyer, ou o clímax dramatúrgico de uma Clarice Lispector? Tampouco se compara a obras consagradas de escritores dos quais me inspiro... Seja ele Arnaldo Jabor ou Machado de Assis.

Minha mente é tão complexa, por vezes, que acredito que a chave do seu desvendar esteja nas coisas mais simples... E eu hoje procuro essa simplicidade, para abandonar os transtornos obsessivos compulsivos de camuflar em junções de palavras o que realmente sinto dentro de mim, e não consigo exteriorizar da forma mais comum, como a maior parte da população sabe fazer.

Sim, acho que sofro do mal do escritor...Que não sabe expor fisicamente o que pensa. Que serve apenas pra colocar a platonicidade nos papéis, e nesse caso, nas páginas de internet, que esperam por ser lidas e compreendidas um dia. Sofro do mal de Alzheimer cultural. Mas sofro muito mais do mal do sentimento. Esse me comove, me corrói, me mata... Me prende aqui às 2:00 am, e move meu mundo pelas mentes alheias.

Um dia espero ser lida... Um dia serei lembrada por qualquer um que bendiga meu nome... Um dia cairei no esquecimento de quem nunca teve oportunidade de ler a mim mesma. E assim acabará a saga de mais uma escritora de blogs e páginas de relacionamento de internet, que escreve para si mesma, na esperança de atingir o próximo.

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