quarta-feira, 26 de maio de 2010

Medo de Sonhar de novo - 1ª parte

Depois de um dia exaustivo de trabalho, ao chegar em casa, tive aquela sensação de "lar doce lar". Retirei meus sapatos e os coloquei no local usual. Fui ao banheiro e me despi, e em seguida tomei uma deliciosa ducha, com água morna, sabonetes e shampoo. Fiz questão de massagear cada parte do meu corpo, como se expurgasse aquele cansaço, aquele peso de um dia árduo.

Voltei para o meu quarto, enrolada em uma toalha púrpura, vesti meus paramentos próprios para dormir. Com a toalha agora enrolada nos cabelos, fitei meu espelho e pensei: "Nossa... como o tempo passa! Estou ficando velha!". Fiz meus últimos rituais noturnos, me estiquei perante a cama, e deitei gostosamente naquele aconchego que só a nossa cama propicia. Alguns socos leves para ajeitar o travesseiro e, pronto! "Agora é só esperar o sono vir!".

Acordei com o telefone tocando. Assustada, fui logo verificar a bina, para saber quem era o ser que me perturbava tão tarde da noite. Não pude acreditar quando vi aquele nome gravado na tela do celular, porque aquilo não era humanamente possível. Resolvi não atender, e uma confusão mental tomou conta de mim.

Levantei e fui preparar o café, ainda que muito antes do horário de todos os dias. Liguei as luzes da casa, e a TV, para verificar se tudo corria normalmente. E aparentemente, nada havia saído dos eixos. Fui organizar algumas coisas do trabalho, para ocupar a mente. Com uma ligação daquelas, era certo que eu não voltaria a dormir tão cedo.

Mais uma vez o telefone tocou, e um arrepio tomou conta de todo o meu corpo. Hesitei um pouco antes de verificar novamente o telefone, mas a curiosidade era maior que o receio. Ufa! Era a minha mãe.

-Alô, querida?
-Oi mãe!
-Tá tudo bem por ai?
-Aparentemente sim, por quê?
-Sonhei com você quase agora. Não era um sonho muito bom, e eu fiquei preocupada. Resolvi checar.
-Ah...
-Já estava acordada?
-Já sim, mãe... Acordei por causa de um sonho também (menti). Mas fique tranqüila, está tudo bem! Boa noite mãe (tentei me desvencilhar).
-Ok, querida! Boa noite! E vá dormir, mocinha...
-Tá boooom! Boa noite!

Só mais tarde saberia que não deveria ter mentido para ela. Mas até ali, eu mesma não sabia distinguir ao certo o que era sonho e o que era realidade. Mas, resolvi checar as últimas chamadas registradas do meu celular. E não é que aquele nome que causava arrepios estava realmente gravado na memória das chamadas perdidas?

Sentindo o meu corpo quase nocauteado pelo cansaço da semana, resolvi tentar voltar para a cama e aproveitar os últimos momentos de relaxamento que eu tinha, se é que depois daquela ligação, eu conseguiria.Mas sim, fui arrebatada por um sono pesado, que não me deu tempo nem de completar a última respiração longa, antes de fechar completamente os olhos.

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