quinta-feira, 27 de maio de 2010

Medo de Sonhar de novo - 4ª parte

Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2004. Aquela com certeza seria a noite da minha vida! Estava esperando por aquela festa desde que eu soube do projeto, na faculdade. Havia uma expectativa boa nos olhos dos alunos naquela tarde; podia-se perceber a ansiedade em cada corpo jovem que passava diante dos meus olhos. Todo o Campus estava em polvorosa, doidos para que a noite caísse, e a festa começasse.

E a noite veio, e os preparativos na república das meninas estava a todo vapor: eram vestidos, blusinhas e calças espalhados pela casa, sem contar as peças íntimas! Essas, com certeza, eram a parte mais importante da vestimenta, nas festas de república. Afinal de contas, você não poderia nunca na sua vida correr o risco de aparecer na frente de um carinha que você saiba que vai rolar um “algo a mais” com uma lingerie furreca!

Roupas escolhidas; maquiagem feita; sapatos nos pés... Todas as meninas da república, finalmente, depois de 3 horas de produção, estavam prontas. Algumas ainda inseguras com as suas dúvidas sobre cores e texturas, mas agora já estava na hora de irmos, e não havia mais tempo para trocas. E então, fomos para a festa da floresta.

A Festa da Floresta é uma festa feita pelo grupo que cursa Biologia, lá na faculdade. Eles organizam esse evento dentro do espaço reservado para os estudos biológicos mesmo, ou seja, dentro de uma espécie de “bosque particular”, que muitas pessoas não têm a mínima idéia de que aquele local existe dentro da área das atividades acadêmicas. Ela acontece uma vez a cada ano, e é famosíssima entre os estudantes, dentre tudo pela liberdade que proporciona, por não ser uma festa “entre quatro paredes”. E a liberdade se estende para os adeptos de qualquer coisa. É, realmente, uma festa muito... liberal e natural.

Chegando no espaço do Bosque, cada uma das 5 meninas da república recebeu um colar cheio de flores coloridas, e foram advertidas contra “os perigos da floresta”. Uma forma descontraída de recepcionar os convidados. Juntamente com o colar, algumas propostas de drinks clássicos, mas aparentemente exóticos, batizados com nomes de animais e plantas.

Eu, como sempre, fui verificar a pista de dança, pois é realmente o que eu gosto de fazer: dançar! Verifiquei minuciosamente o estilo das músicas com o DJ, a fim de preparar meu repertório de passos. Observei também cada pessoa que já estava animadinha e arriscando algumas coisas mais ousadas no meio do salão improvisado, entre árvores e folhas caídas. Confesso que tudo aquilo era estranhamente excitante, dava asas à imaginação.

Me juntei às minhas amigas novamente, adiantando um pouco das novidades obtidas com o DJ e com as minhas bisbilhotices. Fomos eufóricas comprar algumas bebidas conhecidamente estranhas: pedi uma maçã selvagem (uma mistura louca de Bacardi de maçã verde com energético). E dali, direto para a pista de dança.

Nossa juventude transpirava pelos poros, enquanto dançávamos e nos insinuávamos para as pessoas ao redor, ou até mesmo para ninguém. As bebidas, a felicidade, tudo aqui transmitia uma energia muito boa. Consequentemente, atraíamos os olhares alheios, ainda que tímidos, ou descarados, para aquele grupo inconseqüente e louco; mas muito divertido.

Após a terceira maçã selvagem, entrei no estado de letargia mental. Confesso que não sou a pessoa mais forte do mundo, para bebidas. Mas aquilo era bom, me liberava um pouco mais, e me dava coragem para fazer coisas que, sóbria, eu não faria nem que me pagassem.

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