Foi quando, ao chegar ao bar, para a minha quarta dose de drink (aquilo era realmente bom), que fui abordada por ele pela primeira vez. Aguardando o barman preparar a minha bebida, senti um sussurro vindo em minha direção, do qual não entendi muito bem, e me virei em direção àquela voz.
-Desculpe... Como é?
-Calma, só acho que você não deveria beber tanto assim – aquela voz era encantadoramente sedutora.
-Não, to perguntando porque não ouvi mesmo, relaxa! Mas acho que quem tem que decidir até onde eu agüento sou eu, não?
-Desculpe, não quis ser intrometido...
-Tudo bem!
Quando fitei seu rosto com firmeza, e pude dispersar os embaçados da visão turva de álcool, senti um arrepio tomar conta do meu corpo. Ele não era a pessoa mais bonita que havia cruzado o meu caminho, mas com certeza, alguma coisa nele atraia meus olhos. Desviei o olhar, assim que percebi que estava olhando para ele como uma adolescente idiota, e tentei voltar para a pista. E como uma bêbada errante e estúpida, tropecei no primeiro passo, dando a oportunidade dele agarrar-me rapidamente pela cintura, evitando uma queda: -Tem certeza de que ainda vai beber isso? – Ao voltar meus olhos para o meu copo, vi que todo aquele líquido doce e viciante havia sido espalhado pelo chão. –É, acho que não! – Nos olhamos e um riso de ambos foi inevitável.
Ele me recomendou sentar um pouco, e prometeu companhia até que eu pudesse dar conta dos meus passos, que insistiam em errar o caminho. Fiquei um pouco perturbada com aqui, pois parecia que eu tinha desaprendido a andar, e envergonhada pelo vexame. Aquilo era realmente um motivo e tanto para que eu ficasse ali, paradinha, admirando a “paisagem”. Eu já juntaria o útil ao agradável.
A conversa desenrolou fluidamente, e parecia que nos conhecíamos de tempos. Ele tinha um poder imenso de falar sobre tudo, e eu, mais uma vez, me peguei observando aquela figura encantadora com cara de panaca. Percebi que tinha que me policiar quanto a isso, mas ele sempre me desconcentrava e a cena se repetia.
E ele, ah! Ele ministrava as palavras como um palestrante de sucesso. Tinha como magia, o poder de prender a minha atenção em cada gesto, em cada banalidade pronunciada, em cada riso. Tinha um enorme conhecimento do poder de persuasão, e me convencia de seus pensamentos e seus pontos de vista. E facilmente ele me convenceu de me levar para casa. Tudo bem, o meu condicionamento mental não estava dos melhores, e naquele estado eu provavelmente seria convencida por outras pessoas. Mas eu ainda estava consciente o suficiente para negar, se o pedido viesse de alguém que eu não quisesse.
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