Sobressaltada, acordei com o telefone tocando novamente. E esquecendo os episódios anteriores, não me preocupei em olhar quem me ligava, apenas atendi. –Alô!, e a resposta foi apenas um silêncio mudo e forçado do outro lado. Levantei rapidamente da minha posição sonolenta e arrisquei mais algumas tentativas de comunicação, e nada. Então coloquei o telefone rente aos meus olhos. Era aquela ligação de novo! Retornei o telefone aos meus ouvidos, correspondendo ao silencio que vinha do lado oposto. Então pude perceber a respiração de alguém.
-Olha, tem alguém ai? Se não falar nada, eu vou desligar!
-Tu, tu, tu, tu, tu...
Era ele, eu tinha certeza! Aparecendo na minha vida mais uma vez, para me infernizar. As lembranças que aquela ligação me trazia não eram nada agradáveis. Uma onda de pânico tomou conta de mim, e sem pensar direito no que fazer, desliguei o celular.
Involuntariamente a minha vontade, algumas lágrimas escaparam dos meus olhos, e eu me recostei novamente sobre meu sofá. Não, não era possível que tudo aquilo recomeçaria, mais uma vez! E de algumas lágrimas, vi uma cachoeira descer pelo meu rosto. Fiquei ali, parada e chorando, no sofá, por um longo momento. Não conseguia entender aquilo tudo, não conseguia achar um por quê.
Mas enxuguei as minhas lágrimas, e fui me recompor. Desde a última vez que ele apareceu na minha vida, tinha prometido a mim mesma que não me abalaria por ele, nunca mais. Fui tomar um banho, eu precisava relaxar. Estava tensa demais para mentalizar qualquer coisa, e até mesmo deixar a mente vazia era um esforço maior do que o que eu poderia conseguir.
Dessa vez, as massagens corporais não tinham a intenção de aliviar o estresse do dia a dia, mas sim de expulsar da minha memória aquelas lembranças. E quanto mais eu tentava me libertar, mas elas ardiam na minha mente
...
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