quinta-feira, 20 de maio de 2010

Um vírus letal, vital

Eu já sabia que em alguma hora eu me curaria dessa doença, mas não esperava que fosse desse jeito. Não tinha a mínima idéia de como as coisas aconteceriam. E não esperava sofrer tanto com uma despedida não realizada.

Os momentos juntos, ainda que raros, foram responsáveis por uma constante alegria que habitava meu ser, promoveram a felicidade instantânea, sempre acompanhada de situações inusitadas.

A sua presença, sussurrando juras nada eternas me causavam um arrepio dorsal, uma moleza corpórea que muitas vezes me fazia parecer enfêrma. Acho até que eu estava realmente adoecendo. Minha consciência deveria estar surda, porque todos os alertas contra essas reações foram feitos, e ainda assim, a enfermidade tomou conta de mim.

É, eu estava adoecendo, e rapidamente. E eu percebi, pois as outras pessoas reparavam que a minha fisionomia mudara. Meu comportamento também. Aquele vírus tinha se instalado no coração, e lá, meu querido amigo, é terra onde ninguém pisa... Nem nós mesmos.

Talvez esse vírus insolente tenha se aproveitado do meu momento de imunidade baixa... Mal havia acabado de me levantar de uma gripe amorosa mortal, e me vi predisposta a deixar que meu coração fosse inundado de uma nova alegria, mais viva, mais espoleta, que arrebatava. Quando eu peguei essa virose, estava tão distraída, que nem ouvi o alarme que soava em minha cabeça. Quando eu percebi, já era tarde demais.

Óbvio que a minha resistência é muito boa, e isso me fez ter mais tempo, antes que esse vírus fizesse um estrago geral, causando uma perda total de sentidos. Até que eu percebesse que estava adoecendo, não me vi em fase terminal, e tenho que agradecer por isso.

Mas também fico feliz em saber que ainda sou saudável o suficiente, para poder adoecer... Tinha receio de ter perdido a melhor parte de mim para as cicatrizes de um passado que prefiro nem comentar. Cachorro morto não se chuta.

Voltando ao assunto, ao perceber o estado em que me encontrava, procurei especialistas no caso, consultei pessoas que conheciam o vírus que me invadia, para saber quais as precauções tomar. Queria saber se seria melhor deixar o vírus em mim, ou tentar expulsá-lo com métodos receitados.

Esse ser minúsculo não tinha tomado só o coração, mas também os pensamentos. Eu queria deixá-lo viver, lá dentro... Internamente, eu gostava de me sentir daquele jeito, mas todas as vezes que os sintomas passavam, eu caia em depressão e isso não era legal. E, enfim, eu acordei e decidi que iria tomar as providências necessárias. Desisti de tê-lo em mim, expurguei o vírus da minha vida, e espero que meu sistema imunológico tenha armazenado as suas informações, para me proteger de uma nova investida.

No fim, descobri que gostar de alguém é como adquirir um vírus. Um vírus que pode ter dois lados... É como se quando você quisesse estar doente, aquilo te propiciasse uma alegria imensa, mas quando você não quer viver aquilo, um tormento a cada sintoma tomasse conta de você.

E então, quem sabe um dia eu queira estar doente, mas por um vírus que me faça bem. Um vírus que seja letal, mas vital.

2 comentários:

  1. Acabei de ver seu blog, Eloá, e não pude deixar de comentar aqui nesse texto tão complexo, às vezes salpicado de pequenas mágoas, mágoas essas que te fazem parecer estar deprimida ou depressiva, estado de ser seu que não é real, pois te conheço há pouco tempo, mas sei do seu astral, bom astral (excelente astral) Conselho desse novo amigo, de tão pouco tempo amigo... Deixe esse vírus ou esse tipo de vírus e seus sintomas, TOMAREM CONTA DE VOCÊ!

    Ah! Adorei a parte onde você diz: "Cachorro morto não se chuta" Não pude deixar de rir em voz alta! Rs...

    Beijo desse,

    Leo di Araujo.

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  2. Aaaah, Léo, obrigada por comentar!!!! Adorei tê-lo aqui!!!!

    Deixar o vírus tomar conta de mim??? Huuum... Eu vou pagar caro por isso, mas acho que posso arriscar!!!

    beijocas

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