Biiiip, biiiiip, biiiiiip... (Ei, eeeeeei, acorda menina! Tá na hora!)
Hã, hã... O que? Ahhhh, despertador!!! Huuuuuuuum... Bom dia pra mim!
Essa era uma das vantagens de ter sua independência e morar sozinha! Você pode acordar de bom humor, de mau humor, acordar feliz e dar bom dia para o espelho, ou acordar triste e não ter a obrigação de sorrir para os outros.
Levantei-me e me deparei com o espelho novamente. Lembrei do último pensamento antes de dormir (estou ficando velha) e agora, emendei com um “Preciso arrumar alguém, antes que o tempo me leve”. Foi quando fui tomada pela onda de medo que me atacou naquela madrugada. Lembrei da ligação, e ainda assim, não me recordava se tudo aquilo não passava de um sonho. De qualquer forma, retornei a ligação da minha mãe, querendo saber se ela estava melhor.
-Alô!
-Oi mãe... Tudo bem com a senhora?
-Oi querida! Tudo sim, e você? Dormiu?
-Dormi sim... E a senhora? Sem mais sonhos?
-Sim, minha filha! Dormi como um bebê!
-(risos) Ok, mãe, só te liguei para saber se a senhora estava bem! Bom dia!
-Nossa, as coisas mudaram de ordem hoje?! (risos) Bom dia, minha filha! Bom dia para você também. Beijos, tchau!
-Tchau!
E assim, iniciei mais um dia de labuta. Mas sempre dispersa em meus pensamentos. Todo o tempo livre que eu tinha, era acometida com lembranças da noite anterior, aquele telefonema realmente mexeu com a minha cabeça. Resolvi, então, checar mais uma vez as ligações do meu telefone e... -Ué? Cadê a ligação? Fiquei mais confusa do que estava... O medo se transformou num colapso mental. Eu não entendia o que havia acontecido. Como? Quando? Onde? POR QUÊ?
Já não sabia mais o que pensar, a partir dali, e não tinha mais condições de trabalhar. Comecei a me sentir mal, e pedi dispensa, para voltar para casa.
À caminho de casa, pela distração dos novos fatos que eu não conseguia aceitar devidamente, avancei o sinal e quase bati com o carro... Depois de meia hora de sermão sobre como dirigir no trânsito, pelo motorista que se livrou por pouco de uma bela batida em seu carro, e eu, pelo belo custo que economizei, fui dispensada do falatório e tentei me concentrar no objetivo de chegar à casa VIVA!
Resolvi comer um pouco, assim que cheguei a casa. Meu estômago acusou o que a minha percepção não notou: por eu estar ocupada demais em pensar no que havia acontecido, e procurar explicações lógicas, acabei esquecendo-me de comer. Mais um ronco, e bom, acho melhor esquentar alguma coisa rápido!
Liguei a TV, sentei em meu sofá-cama e ali pude imergir na inércia de pensamentos turbulentos. Assistindo à todas aquelas informações, meu pensamento foi divagando, até perder-se completamente nos anúncios de novas coleções de outono-inverno e tendências comestíveis. Acabei adormecendo sob o controle remoto e almofadas decorativas.
...
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