segunda-feira, 19 de abril de 2010

Quando a inspiração vier...

Quando a inspiração vier, e trouxer consigo as mais belas palavras de amor, prometo que criarei não apenas uma, mas dez mil canções, que embalem o seu sono, que te deixem tonto, e que remetam os pensamentos teus à mim.

Quando a inspiração vier, será como no conto de Sherazade, em que a razão da minha sobrevivência seja amanhecer ao seu lado, contando-lhe sob a versão de uma história de mil e uma noites, os meus mais escondidos segredos, as mais lindas juras de amor, entregues a você, de bandeja, para o seu regozijo matinal.

Quando a inspiração vier, sua poesia será minha, tal qual a minha será sua. As palavras, enfim ditas. O encantamento será lançado e como em contos de fada, seus sentimentos serão despertados ao mais suave toque de lábios. Terás a certeza de que possui eternamente um lugar cativo em meu coração, e as chaves, para retornar quando quiseres.

Quando a inspiração vier, que venha com ela o “para sempre”, pois todo amor carrega em si o “que seja eterno, enquanto dure”; pois que dure, então, até o fim dos meus dias de vida. Que dure o suficiente para ser inesquecível, que dure para ser exemplo para outros casais, que dure para causar inveja aos que não são tão bem afortunados quanto nós dois.

Quando a inspiração vier, que venha também a dor, pois sem ela, não há valor nas coisas boas, não há vontade de tornar nada melhor, não há motivos para reconciliação. Pois que venha a dor, que dilacera; que destrói, e que cria as poesias mais sinceras e melancólicas, mais tristes e mais bonitas; mas que também venha o amor, para construir e reerguer as hastes sustentadoras do relacionamento. E que venha também o respeito e a amizade, já que quando não mais houver fogo ardente para o amor físico, haja a brisa leve do amor amigo, em uma conversa de fim de tarde, num domingo qualquer.

Mas só quando a inspiração vier...

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