domingo, 18 de abril de 2010

Estrela Cadente

Hoje eu olhei no fundo dos olhos, eu vi um brilho intenso vindo dos meus refletirem nos seus. Pensei que poderia ser o céu clareando, mas ao olhar pelo vidro da janela, o fumê escondia dos nossos rostos os primeiros raios de sol daquela manhã. E então percebi... Tínhamos luz própria!

Naquele momento, vi que éramos seres que se completam. Vi que ao pensar que era chegada a hora de nos separarmos, meu coração reclamava. Vi que pensar nos momentos em que estávamos juntos me causava suspiros repentinos e inexplicáveis. Meu alerta racional logo disparou: Estrela, você está encrencada! Mas o meu emocional berrava que eu ainda estava viva, que eu ainda brilhava.

Passei anos sem brilhar. Estrela sem graça, achei que tinha perdido o coração. Estrela sem coração não brilha, não passa de um fragmento de rocha no espaço. E eu estava assim: dura, sem graça, sem brilho. Mas ainda assim, algum feixe de luz irradiava, pois outra estrela conseguiu enxergar em mim o que muitos deixaram de reparar. Ela viu que eu ainda mantinha em mim a essência dos astros iluminados.

Mas o céu tem muitas estrelas, e sei que muitas outras chamam a nossa atenção. Hoje o meu brilho pode chamar atenção de outras, graças à estrela que passou cadente na minha vida. Meus anos-luz não se comparam aos seus, e sua jornada é errante, enquanto a minha, estática. E eu sei que existe algum propósito em seu destino vir de encontro ao meu. Estrela cadente, parta quando quiser, ou fique, mas se partir, deixe um pouco do seu brilho em mim, e me ensine a ser cadente também; quem sabe um dia, eu te alcanço novamente...

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