segunda-feira, 23 de julho de 2012

Cabos e chibatas

Em ano eleitoral, encontro=me muito satisfeita em ter a oportunidade de visitar um país que não é o meu. Em período de férias fui conhecer um local que não é a minha origem, portadora de uma cultura bastante diferente da minha, com língua, comida, hábitos... clima, tudo bem ao contrário (ou quase) das que eu vivo em meu dia a dia.

Pois bem, por que começar falando justamente de ano eleitoral? Porque eu acho que o empenho em fazer a população uma massa homogênea de ignorantes que os governantes têm tem obtido êxito. Mas vamos a alguns fatos, pra tornar mais clara a minha explicação.

Os Estados Unidos Mexicanos, ou México, como é popularmente conhecido, não é um país extremamente rico, nem está no "top five" de países mais desenvolvidos do mundo. Mas quando você chega, você descobre que entre o mesozoico e o contemporâneo, mesmo que em alguns quesitos eles estejam atrasados, vi que estamos mais que eles. E por que?

Dentre as cidades que eu tive a oportunidade de conhecer, mesmo tendo um carro alugado à minha disposição, fiz questão de andar por transportes públicos. Me surpreendi quando achei que me depararia com aqueles ônibus maltrapilhos, com ramos de palha e galinhas dentro. E eu pensando que me sentiria em uma cena de clandestinos de filme "western" americano.

E o que eu tive, pelo extremo oposto, foi uma experiência incrível de transportes públicos que funcionam bem, e em bom estado, por um custeio irrisório, se comparado ao nosso. Paguei a bagatela de 3 PESOS para andar de ônibus pela Capital Cidade do México, para lugares bem distantes. 3 pesos equivalem, mais ou menos, a 50 centavos de reais. Isso me fez lembrar da época em que eu pagava em moedinhas de 10 centavos, até completar o mesmo valor, pelo transporte em uma Kombi 822 até o West Shopping Campo Grande, porque a Kombi fazia um preço mais em conta. E hoje, o máximo promocional que encontro é 2,50, por uma passagem.

Além dos ônibus, vi funcionar maravilhosamente bem o metrô. Com conexões e baldeações para QUALQUER parte da capital, paga-se a quantia de 2 pesos. Algo em torno dos 30 centavos de real. É, fazia calor, de vez em quando. Mas o que é calor, se comparado ao Metrô do Rio de Janeiro, em que o ar condicionado não funciona, você encontra superlotação, calor humano e desconforto pelo absurdo de 3,20!!!

O cúmulo maior foi vivido em Cancún. Cidade altamente turística, linda, cheia de boas atrações de todos os tipos. Andamos por lá, de ônibus, por 8 pesos. 1,30 reais, mais ou menos. Mas o melhor vem agora: o ônibus, pelo qual pagamos tão caro, era integrado com televisão, ar condicionado e, pasmem, rede wi-fi  de internet. Está bom para você?

Alguém aí já viu alguma coisa parecida com isso, no Rio de Janeiro??? Porque eu... Nem em sonho!

E dentre tanta miséria, cidades com níveis culturais tão discrepantes, os locais mais ricos me mostraram que um bom governo não vive apenas de impostos e mais impostos sobre impostos. Mas de uma boa administração e menos sede e gana de dinheiro. Salários justos e dignos aos governantes já seria um bom começo.

É óbvio que no México, nem tudo é composto por paraísos e flores. A corrupção policial é maior do que no Brasil. Vivi experiências com ela, que nunca tive aqui. Mas isso é um outro assunto a ser tratado.

O que cabe, aqui, é dizer que nós, enquanto brasileiros, temos que retomar o sonho de um país melhor. E muito me entristece ver que estamos cavando um buraco tão fundo dentro da nossa própria ignorância, que talvez não tenhamos mais como sair dele.

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