Eu quero... E eu quero mesmo!
O olhar fixo naquele objeto daquela pessoa... Ah! Como eu quero!
Vem involuntariamente uma força, uma raiva, um fogo me consumindo, e o questionamento do porque aquilo não ser meu, e sim de outra pessoa.
Sinto-me menor, sinto-me incapaz, infeliz. A necessidade se faz presente.
O escárnio aparece ali, apenas para fazer esconder aquilo que sinto verdadeiramente em meu ser, disfarçar. A cobiça me tomando pelas veias, envenenando cada glóbulo vermelho através de cada bombeada de sangue pelo coração. O fogo começa a arder, e os olhos inflamam. Eu ainda quero, e cada vez mais.
Por que? Por que a outra pessoa pode ter e eu não? Ela é melhor que eu? Ela pode mais que eu? É isso?
Que ótimo! Agora me comparo àquele irmão mais novo renegado. Aquele filho que a mãe gosta menos, o rejeitado pelos amigos da escola.
A cabeça roda insistentemente. Muitos questionamentos, muitas dúvidas, muitos "por ques" sem resposta satisfatória para um fogo tão daninho e tão dilacerador como esse. Que veneno fulgás, que perspicácia maligna.
E então a malícia se mostra em minha frente como uma aparição da meia-noite. A mulher de branco da inveja corrói e torna pungente o azedume da peçonha que circula nas minhas glândulas salivares.
Engulo com dificuldade, sinto a garganta arranhar. E cada vez pior. Tento me concentrar e não consigo mais. O que está acontecendo comigo? Por que aquilo me mexeu tanto? Oh, Céus, eu suplico por uma única resposta às minhas arguições!
- Sucumbistes tu em pecados capitais, meu filho!
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